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Margem da farmácia média é negativa e actividade já não permite cobrir custos fixos na maioria das farmácias
A Nova School of Business and Economics (Nova SBE) elaborou um estudo sobre a evolução da situação
económica das farmácias, da autoria do Prof. Pedro Pita Barros.
O modelo de análise foi o mesmo utilizado pela Autoridade da Concorrência (AdC) em 2005, mas com base
em informação actualizada e relativa a 1.091 farmácias.
O estudo da Nova SBE está em linha com as conclusões do estudo recentemente efectuado pela Universidade
de Aveiro.
Este estudo isola os efeitos financeiros decorrentes de decisões de investimento e financiamento, avaliando
apenas o espaço económico para reduzir margens, complementando, assim, o estudo de avaliação da situação
económica e financeira do sector das farmácias realizado pela Universidade de Aveiro.
Demonstra-se no estudo agora divulgado que a situação económica actual das farmácias é insustentável, não
permitindo cobrir sequer os custos fixos na maioria das farmácias.
Esta situação conduzirá ao encerramento de farmácias pela impossibilidade dos seus proprietários suportarem
indefinidamente os prejuízos da actividade.
Em coerência com os estudos elaborados, continua a agravar-se a situação de incumprimento das farmácias perante
os seus fornecedores.
O número actual de farmácias com fornecimentos suspensos é de 1.131, representando um crescimento superior a 30%
nos últimos 3 meses.
O Estudo da Nova SBE ainda não considera a redução da margens das farmácias em vigor desde 1 de Janeiro de 2012,
que está a ter um fortíssimo impacto negativo na situação económica das farmácias.
Das conclusões principais deste Estudo destacam-se:
- O estudo da AdC de 2005 previa a capacidade das farmácias suportarem uma redução de preços de 5%
O estudo da AdC tinha como referência o preço médio por receita dispensada de 38,81 euros, em 2002.
- Porém, a redução de preços verificada desde 2005 até hoje foi muito superior, da ordem de 20%.
- O preço médio por receita dispensada era de 36,65 euros, em 2009, e a estimativa a Abril de 2012
era de 30,78 euros.
- De acordo com as estimativas obtidas para 2010 e a evolução dos preços, a farmácia média estará a
funcionar - desde 2010 - com margem negativa.
- Atendendo às reduções de preços dos medicamentos que têm ocorrido nos últimos anos, o preço médio
no mercado é já inferior ao preço que garante, em média, a viabilidade económica da farmácia.
- De acordo com os valores de 2010, preços e custos, a farmácia média terá um resultado operacional
negativo, aplicando os modelos do Estudo da AdC.
- Desde 2010, os preços médios continuaram a descer, reforçando a conclusão anterior, uma vez que não
há evidência da redução significativa de custos nas farmácias, em 2011/2012.
- Tendo em conta a actual estrutura de custos, as margens estimadas anteriormente pela AdC não são
suficientes para garantir a viabilidade económica das farmácias.
- Na farmácia média, em 2010, seria necessária uma margem líquida mínima de 6% e bruta de 24,12% para
assegurar a sua viabilidade económica.
A ANF está cada vez mais preocupada com a evolução da situação, que já é de ruptura parcial no sistema de
assistência farmacêutica à população.
A situação económica e financeira das farmácias agudiza-se de mês para mês, exigindo a aplicação de um plano
imediato de sustentabilidade para o sector.
Em anexo, encontra a apresentação do Prof. Pedro Pita Barros referente às conclusões do Estudo e os dados
actualizados do relacionamento financeiro das farmácias com os grossistas.
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