Males de garganta, quem os não tem?! PDF Imprimir e-mail
11-ago-2008
Artigo da revista Farmácia Saúde do número 77 de Fevereiro de 2003

Com o frio e a humidade, os males de garganta estão de volta! Reconhecer os diferentes sintomas é a melhor forma de os tratar, pelo que aqui ficam alguns conselhos.
Tudo pode começar por uma ligeira rouquidão e um igualmente ligeiro ardor na garganta. Podem ser sinal de uma virose, mas também podem ser o alerta para uma infecção mais séria. Porém, não é porque a garganta está vermelha e dolorosa que se sofre necessariamente de anginas. É que a faringe pode apresentar esse aspecto suspeito mas não estar de facto infectada. Basta que se tussa com mais força, que se ingiram alimentos demasiado condimentados ou que se respire ar seco para ela ganhar essa coloração e ficar irritada.
Antes de mais é preciso saber que a nossa garganta não se resume à parte visível ao espelho quando se abre a boca. Ela é, na realidade, constituída por três partes distintas: a rinofaringe, a parte superior entre o nariz e o palato (céu da boca); a orofaringe, que consiste na zona intermédia, abrangendo as amígdalas, e a laringe, a zona mais inferior, onde se situam as cordas vocais.
A cada destas partes correspondem patologias particulares e, naturalmente, tratamentos específicos.
Vejamos então alguns dos cenários possíveis:

Inflamações

Em caso de rinofaringite, as secreções que se produzem na parte de trás do nariz irritam a garganta. E quanto mais secreções pior. A dor situa-se geralmente junto ao lobo da orelha, podendo mesmo provocar picadas ao nível das bochechas. Tem-se a impressão de que a garganta está áspera, com uma dor que comunica com os ouvidos.
O que fazer? Antes de mais, há que livrarmo-nos dessas secreções tão incómodas, o que conseguimos com uma lavagem diária do nariz para retirar todas as impurezas e impedir que elas caiam na garganta. Soro fisiológico ou os sprays de água do mar são o melhor método, após o que deve desinfectar o nariz com gotas nasais apropriadas. Se a inflamação persistir pode acalmá-la com medicamentos à base de aspirina e ibuprofeno. Não adianta chupar pastilhas anti-sépticas, pois a sua acção limita-se à zona central da faringe e aqui o problema reside mais acima, junto ao nariz.
Quando a garganta parece arder, a dor torna-se intolerável à deglutição mesmo debaixo dos maxilares, pensa-se de imediato em anginas, mas pode não ser. Pode de facto não ser uma inflamação das amígdalas, mas uma faringite de origem viral ou bacteriana.
Se as amígdalas apresentam pequenos pontos brancos, mas a febre não ultrapassa os 38º não há grande motivo para preocupações. É que os pontos brancos podem não ser sinal de uma amigdalite, mas ser o resultado de um quadro de stress e fadiga, duas situações que podem causar essas erupções inflamatórias.
Porém, se a temperatura já ronda os 39º/40º a situação muda de figura. Se as amígdalas estiverem inchadas e sentir gânglios ao nível do pescoço, trata-se muito provavelmente de anginas, sobretudo se a ingestão de alimentos for dolorosa.

Nos casos de uma simples inflamação pode tomar aspirina ou ibuprofeno durante três a quatro dias, excepto se tiver problemas de estômago. Pode reforçar este tratamento com pastilhas à base de analgésico, pois acalmam rapidamente a dor. Outra ajuda pode ser dada por supositórios à base de sais de bismuto, os quais asseguram uma desinfecção perfeita da faringe.
Já aqui se disse que os males de garganta são também um sinal de alarme para um estado de fraqueza física, pelo que, se forem muito frequentes, convém aprender a gerir o stress e as emoções e sobretudo descansar.

Sem voz

Quando a voz falha, pode não ser sintoma de doença, mas a verdade é que é perturbador. Porém, nos casos de inflamação da zona inferior da faringe, as cordas vocais são afectadas e, além de se ficar afónico, sente-se dor a qualquer esforço vocal.
Por isso, o melhor é dar tréguas à sua voz, não a esforçando, pois pode agravar a inflamação. Evite igualmente tossir. E se fuma é recomendável que deixe os cigarros de lado, pois o fumo do tabaco contém substâncias que irritam a garganta e são inimigas de uma voz clara e límpida. Mesmo o tabagismo passivo pode ter essa consequência, podendo acontecer que, após uma noite em pleno ambiente de fumo, de manhã sinta dificuldade em fazer-se entender.

Perante cordas vocais fragilizadas, o que há a fazer é, digamos assim, adoçar a garganta. Não com doces, mas com produtos especialmente formulados para a suavizar. Se a afonia e a dor persistirem, então há que consultar um médico, de preferência da especialidade de otorrinolaringologia.
Na prevenção de todos estes males a vitamina C é um bom aliado da sua garganta. O sumo de laranja é uma boa fonte, mas outros frutos, como o kiwi, são igualmente ricos. Não se esqueça delas nas suas refeições, especialmente agora que estamos no Inverno, pois são bons instrumentos na resistência às infecções.

As virtudes do mar

Primeira barreira contra as chamadas infecções ORL (de otorrinolaringologia), a mucosa nasal desempenha o triplo papel de aquecer, humidificar mas sobretudo filtrar o ar inspirado. Uma tarefa difícil, tendo em conta que respiramos em média 15 mil litros de ar por dia! O mesmo é dizer que numerosos poluentes e micróbios agridem e procuram esconder-se diariamente nas nossas cavidades nasais.
Porém, quando as secreções se tornam excessivas ou quando a mucosa nasal se irrita (devido à poluição ou ao ar demasiado seco), o nariz deixa de poder desempenhar correctamente o seu papel de filtro, o que facilita a entrada de agentes infecciosos e o desenvolvimento, por exemplo, de rinofaringites.

Podemos, no entanto, dar uma ajuda ao nosso nariz, eliminando regularmente as impurezas. E nesse sentido a água do mar é um bom aliado, pelas suas virtudes anti-sépticas e anti-inflamatórias. Verdadeiro concentrado de minerais e oligoelementos, a água do mar, quando condicionada em spray, proporciona uma cura marinha sem efeitos secundários. É que, em spray, é-lhe retirado o sal, um agressor natural da mucosa nasal.
E tem uma outra vantagem: a de poder ser usada por todas as idades, a começar pelos bebés. Incapazes de se assoarem, têm na água do mar um filtro refrescante. As crianças que andam sempre de nariz congestionado também beneficiam muito deste spray, igualmente útil para quem trabalha em ambientes muito secos ou climatizados. E já agora saibam aqueles que ressonam que uma pulverização ao deitar atenua o ruído nocturno...

Xarope? Nem pensar, sabe mal...

Este é um problema com que, provavelmente, todos os pais já se depararam. Então no Inverno, com as tosses, as constipações e as gripes a atentarem os pequeninos corpos, caretas e, se calhar, cuspidelas é o que os pais recebem quando tentam empurrar uma colher de xarope.
Sabe mal, resmungam eles e o mais certo é terem razão. Porque quando o xarope é docinho até querem repetir e o perigo é deixar o frasco à mão de semear...
Aqui ficam, pois, alguns truques para vencer o desafio de dar ao seu filho um medicamento que sabe mal:

Quando se tem o nariz entupido, os alimentos sabem sempre pior; por isso, desentupa-lhe o nariz antes de lhe dar o medicamento;
Dê algumas colheres de gelado ao seu filho antes do medicamento: é que o frio diminui a sensibilidade das papilas gustativas e o medicamento já não vai saber tão mal;
Dissimule o mau gosto do medicamento integrando-o numa pequena quantidade de um alimento que o seu filho goste: no iogurte, na banana esmagada, junte-lhe um pouco de mel;
Atenção: não dilua o medicamento numa grande quantidade de líquido ou alimento, pois arrisca-se a prolongar o mau gosto;

Depois de tomado o medicamento, dê ao seu filho uma bebida fresca ou um pedaço de chocolate: o objectivo é fazer desaparecer o sabor do medicamento;
Seja firme: a toma do medicamento não é negociável; porém, depois de tomado, não poupe os elogios e faça o seu filho sentir-se crescido e responsável;
Mas se o medicamento desagradar mesmo, da próxima vez que for ao pediatra não deixe de referir o mau gosto: pode ser que possa ser substituído por outro mais agradável e com o mesmo efeito terapêutico, claro.
 
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