Em Junho de 2011, na sequência de queixas que foram feitas por algumas farmácias, a Associação Nacional das Farmácias participou à Polícia Judiciária provas indiciárias de uma burla informática na rede das farmácias.
Os factos que justificaram a nossa participação são os seguintes:
1.º Foi descoberta a instalação de um software pirata nos servidores de muitas farmácias.
2.º Esse software entrava no sistema informático e tinha acesso a toda a informação residente no sistema.
3.º Todos os dados pessoais, individuais, comerciais, profissionais, económicos, etc., residentes no sistema informático das farmácias, ficaram acessíveis a quem instalou o software pirata.
4.º Diariamente, em horário mais ou menos constante, esse software exportava directamente, de forma desprotegida, através da internet, dados das farmácias para um servidor com domínio residente nos Estados Unidos da América e com a identificação Ftp03.pt.imshealth.com.
5.º Esta exportação de dados era feita sem conhecimento e sem autorização de, pelo menos, a maioria das farmácias.
6.º A ANF, como é óbvio, também não autorizou, nem podia autorizar, a instalação daquele software nos servidores das farmácias.
7.º Sabe-se que a informação estava a ser vendida a terceiras entidades.
8.º Desconhece-se, todavia, até ao momento, o montante pelo qual aquela informação era vendida.
9.º Muitas farmácias confirmaram que nunca receberam qualquer quantia pela venda de informação e que desconheciam que ela estava a ser vendida a terceiros.
10.º A Polícia Judiciária, após as buscas e apreensões que efectuou na passada terça-feira, afirmou em comunicado que há indícios da prática dos crimes de ?Burla Informática, Sabotagem informática, Dano relativo a programas ou outros dados informáticos, Acesso Ilegítimo, Acesso Indevido e Tratamento Transfronteiriço de Dados Pessoais?.
A ANF reforçou os mecanismos de segurança da rede, por forma a evitar que se repitam no futuro situações análogas.
O processo está em segredo de justiça e a ANF nada fará que possa prejudicar a investigação.
A burla informática que acaba de ser desmantelada é um duro golpe na transparência e na confiança a que as farmácias estão habituadas.
Os autores dos crimes têm de ser punidos.
No momento difícil que atravessam, as farmácias precisam de entidades que as sirvam e não de entidades que delas se sirvam.
Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que seja completamente descoberta toda a verdade sobre esta burla.
A ANF confia na investigação e manterá as farmácias informadas sobre a sua evolução.
19 de Março de 2012