Estudo de Avaliação Económica e Financeira do Sector das Farmácias - Comunicado ANF

Farmácias em Ruptura Económico-financeira

As medidas implementadas no sector do medicamento com o objectivo de redução da despesa pública conduziram ao agravamento da situação económica e financeira das farmácias. Em 2012, em todos os escalões de volume de negócio, as farmácias apresentam, em média, uma rentabilidade líquida das vendas negativa.


A farmácia média apresenta, durante o ano de 2012, um resultado líquido negativo (-39.891 euros) e um resultado operacional antes das amortizações (EBITDA) negativo (-738 euros). Os gastos com pessoal representam 17,2 por cento do valor das vendas e 57 por cento dos custos totais (excluindo o custo das vendas).


As conclusões são do estudo de Avaliação Económica e Financeira do Sector das Farmácias, que caracterizou a situação actual das farmácias portuguesas e estimou o impacto das medidas de redução da despesa pública nos seus resultados até ao final do ano de 2012, com base em informação histórica relativa a 2010 e informação prospectiva relativa a 2011 e 2012.


Os dados da investigação, conduzida por Avelino Azevedo Antão (Universidade de Aveiro) e Carlos Manuel Grenha (Oliveira, Reis & Associados), revelam ainda que, no período de 2010 a 2012, a margem bruta das farmácias reduz 26 por cento, o valor das vendas reduz 17,3 por cento, a rentabilidade operacional das vendas reduz 100,8 por cento e a rentabilidade líquida das vendas reduz 198 por cento.

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2 de Maio de 2012




Confiança e Transparência - Comunicado ANF

Duas investigações criminais de grandes dimensões, uma de burla informática e outra de falências fraudulentas, estão a afectar a transparência e a confiança no nosso sector.


Devemos todos reflectir sobre estes fenómenos.


As farmácias foram justamente consideradas ao longo das últimas décadas um sector credível, transparente, gerido por profissionais responsáveis, em que a população depositava grande confiança.


Este sentido de responsabilidade e este clima de confiança foram determinantes para a unidade do sector, que tornou possível o progresso contínuo das farmácias ao longo dos últimos 30 anos.


É por isso que a ANF assiste com muita preocupação ao desenvolvimento no sector de fenómenos de natureza criminal, que prejudicam gravemente a imagem das farmácias perante o País e particularmente perante os doentes.


Têm na sua origem uma visão oportunista e de lucro fácil, sem preocupação com a transparência e até com a legalidade dos seus actos.


Não se movem pelo interesse colectivo, nem pela credibilidade do sector.


É preciso reconhecer com frontalidade estes fenómenos, para que cada um de nós assuma as suas responsabilidades.


O futuro do sector de farmácias será aquilo que cada um de nós quiser que seja.


A credibilidade do sector é construída com a credibilidade de cada um de nós e das instituições que nos representam.


A ANF colabora regularmente, por isso mesmo, com as autoridades nos processos de investigação.


Foi a Direcção da ANF que participou às autoridades de investigação criminal o caso da burla informática.


E, pelo desenvolvimento do processo, já não há dúvidas sobre o fundamento da nossa participação.


Temos de ser firmes na denúncia dos factos que destroem a credibilidade que as farmácias construíram ao longo de várias décadas.


As farmácias são um sector regulado, tutelado pelo Estado e que presta um serviço público às populações.


Temos de estar sempre à altura das nossas responsabilidades.


E não podemos permitir que uma minoria ponha em causa o nosso futuro colectivo.

Lisboa, 29 de Março de 2012




Burla informática às farmácias - Comunicado ANF

Em Junho de 2011, na sequência de queixas que foram feitas por algumas farmácias, a Associação Nacional das Farmácias participou à Polícia Judiciária provas indiciárias de uma burla informática na rede das farmácias.

Os factos que justificaram a nossa participação são os seguintes:

1.º Foi descoberta a instalação de um software pirata nos servidores de muitas farmácias.

2.º Esse software entrava no sistema informático e tinha acesso a toda a informação residente no sistema.

3.º Todos os dados pessoais, individuais, comerciais, profissionais, económicos, etc., residentes no sistema informático das farmácias, ficaram acessíveis a quem instalou o software pirata.

4.º Diariamente, em horário mais ou menos constante, esse software exportava directamente, de forma desprotegida, através da internet, dados das farmácias para um servidor com domínio residente nos Estados Unidos da América e com a identificação Ftp03.pt.imshealth.com.

5.º Esta exportação de dados era feita sem conhecimento e sem autorização de, pelo menos, a maioria das farmácias.

6.º A ANF, como é óbvio, também não autorizou, nem podia autorizar, a instalação daquele software nos servidores das farmácias.

7.º Sabe-se que a informação estava a ser vendida a terceiras entidades.

8.º Desconhece-se, todavia, até ao momento, o montante pelo qual aquela informação era vendida.

9.º Muitas farmácias confirmaram que nunca receberam qualquer quantia pela venda de informação e que desconheciam que ela estava a ser vendida a terceiros.

10.º A Polícia Judiciária, após as buscas e apreensões que efectuou na passada terça-feira, afirmou em comunicado que há indícios da prática dos crimes de ?Burla Informática, Sabotagem informática, Dano relativo a programas ou outros dados informáticos, Acesso Ilegítimo, Acesso Indevido e Tratamento Transfronteiriço de Dados Pessoais?.

A ANF reforçou os mecanismos de segurança da rede, por forma a evitar que se repitam no futuro situações análogas.

O processo está em segredo de justiça e a ANF nada fará que possa prejudicar a investigação.

A burla informática que acaba de ser desmantelada é um duro golpe na transparência e na confiança a que as farmácias estão habituadas.

Os autores dos crimes têm de ser punidos.

No momento difícil que atravessam, as farmácias precisam de entidades que as sirvam e não de entidades que delas se sirvam.

Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que seja completamente descoberta toda a verdade sobre esta burla.

A ANF confia na investigação e manterá as farmácias informadas sobre a sua evolução.

19 de Março de 2012



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