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A Mãe Natal existe!

​​​​​​​​Na Farmácia Mateus o Natal celebra-se vestido a rigor.

Texto de Vera Pimenta • Foto de Miguel Ribeiro Fernandes


 
Farmácia Mateus - Vale de Santarém​
 
No seio do Vale de Santarém, apertada entre edifícios de paredes caiadas, a Farmácia Mateus ergue-se timidamente, passando despercebida ao olhar menos atento. Há mais de 100 anos que a única farmácia da freguesia é a segunda casa de quem ali vive e local de paragem para quem passa pela Estrada Nacional n.º 3. Na fachada, as letras desgastadas denunciam os mais de 25 anos ao serviço da população sob a  alçada da actual directora-técnica, Maria José Mateus.
 
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Em Dezembro, as montras transformam-se em presépios e, entre os pequenos apontamentos que adornam o tecto e a grande árvore branca com enfeites roxos ao canto, a decoração de Natal espalha-se pelo espaço, anunciando a chegada da época natalícia. Mas as montras não mostram tudo – é que quem visita esta farmácia na véspera de Natal pode bem ser atendido pelo próprio Pai Natal. 
 
A tradição começou em 2013. «Quando os meus filhos eram mais novos eu disfarçava-me aqui na farmácia e aparecia em casa de surpresa. E, um dia, pensei que podia ser engraçado estar ao balcão vestida de Pai Natal», conta-nos, sorridente, Maria José Mateus, de 53 anos. Agora que os filhos já não se deixam surpreender, as reacções dos utentes são o motor desta brincadeira de Natal, que tem alegrado miúdos e graúdos. E a farmacêutica garante que nem os utentes mais sérios conseguem resistir. 
 
Manuel Gaspar Pedro, de 85 anos, entra a falar do frio, mas acaba a falar sobre a vida. Ao balcão vai contando histórias sobre o Natal de outros tempos. «Parece que ainda estou a ouvir o resmalhar dos papéis, enquanto a minha filha tentava abrir o presente do sapatinho. Depois inventaram a figura do Pai Natal, mas eu nunca acreditei nisso.» Quem o atende é Sofia Gomes, a farmacêutica de 41 anos que já ali trabalha há 13. «Espere aí cinco minutos e vai ver que ele existe», diz, bem-disposta. E depressa o cepticismo do octogenário dá lugar a um largo sorriso, quase involuntário, assim que o Pai Natal aparece.​
 
De vestimentas vermelhas, gorro e até barba, Maria José está preparada para receber os utentes com a animação a que já os habituou. E os primeiros a chegar já se ouvem ao longe. São duas turmas da Escola Básica do Vale de Santarém, que vêm a entoar cânticos natalícios. De olhares curiosos e sorrisos inocentes, as 34 crianças rapidamente se espalham pela farmácia, de repente pequena para tanta gente.
 
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O Pai Natal guia-os até às traseiras, onde vão aprender a fazer um creme de mãos com vaselina e óxido de zinco. O marido, José Carlos Mateus, de 51 anos, chega para se juntar à brincadeira. «Sempre que posso venho ajudar cá na farmácia. Para mim as relações humanas são muito importantes», conta. Há um ano, decidiu tirar uma formação em Técnico Auxiliar de Farmácia e agora pode dar apoio no atendimento.
 
Antes de terminar a visita, ainda há tempo para cada um fazer um desenho de Natal, que mais tarde será exposto na montra da farmácia. Mafalda, de 8 anos, rabisca rapidamente aquilo que parece ser o telhado de uma casa, enquanto explica: «Estou a desenhar uma casa, com relva, uma árvore de Natal e o Pai Natal.» À saída, a farmacêutica despede-se distribuindo beijos, abraços e saquinhos com um chocolate e uma amostra do creme que todos ajudaram a fazer. 
 
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Sandra Campeão, de 45 anos, chega à farmácia com a filha: «Diz olá ao Pai Natal!». A pequena Mariana veio dar a sua contribuição para a montra natalícia, mas parece mais encantada com o grande frasco de vernizes que vê em cima do balcão. Sandra vive numa freguesia vizinha, mas a Farmácia Mateus é a farmácia de eleição: «Aqui já conheço as pessoas e tenho sempre os medicamentos de que preciso. E, como tenho dois filhos diabéticos, venho cá muitas vezes para comprar a insulina para eles.» Entretanto Mariana rende-se aos encantos do Pai Natal, termina o desenho e, em troca, recebe um chocolate e o verniz que tanto queria. 
 
Durante a tarde, os conterrâneos vão chegando e as conversas arrastam-se como na esplanada de um café. Alguns vêm só cumprimentar. Outros trocam impressões sobre a última Revista Saúda. Há tempo para beber um chá ou um café. Há quem tente negociar um presente e quem pergunte pela ceia de Natal. Nesta farmácia não há utentes e farmacêuticos, só amigos. E, dos mais sérios aos mais brincalhões, ninguém resiste ao Pai Natal.
 
 

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