Saltar para o conteúdo principal Saltar para o footer

Amigos para a vida

​As farmácias são a rede de cuidados de saúde mais próxima dos portugueses. Os farmacêuticos não dão apenas conselhos sobre medicamentos. Cada vez mais, apoiam os doentes crónicos e garantem serviços de nutrição, podologia, osteopatia ou audiologia às populações. Médicos, farmacêuticos e outros profissionais de saúde falam cada vez mais uns com os outros. Os portugueses ganham anos de vida.​

Texto de Sónia Balasteiro • Foto de Carla Bessa, António Santos e Céu Guarda

Farmácia União: Doente a Doente

Quem chega a Talhadas, no concelho de Sever do Vouga, vê-a logo. Como a um farol. Moderna, envidraçada, destaca-se na paisagem composta por casas baixas e arvoredo alto. Chove copiosamente mas, dentro da Farmácia União, sente-se o aconchego familiar. 

Um casal de idosos está a ser atendido pela farmacêutica Susana, que pergunta à senhora sentada do outro lado da mesa, à sua frente: «Este já toma, certo?». A resposta afirmativa é retorquida com um aviso: «Tem de deixar o outro medicamento agora». Perceber a necessidade da medicação, a segurança, a posologia correcta e as condições que o utente tem para a tomar é apenas um dos serviços farmacêuticos de que a União dispõe.  

Aqui, trata-se «doente a doente», explica Paulo Nogueira, o director técnico que, em 2010, transformou o então posto móvel em farmácia. A mudança trouxe, assegura convicto, «enormes vantagens» no que aos cuidados farmacêuticos diz respeito. Sobretudo porque sendo «uma farmácia de meio rural» tornava-se um complemento ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). «Está disponível durante mais horas», explica o responsável. 

Mas os cuidados com quem procura ajuda vão muito para além do horário. Na Farmácia União, para o acompanhamento farmacêutico, cada paciente é convidado a sentar-se frente a uma mesa. Do outro lado está o farmacêutico, pronto a ouvi-lo com toda a atenção. Neste «atendimento sentado», como lhe chama Paulo Nogueira, «é garantida toda a privacidade necessária para que a pessoa se sinta mais à-vontade». «No fundo, é o que se passa num consultório», resume.

Para facilitar o entendimento, nesta zona, chamada de zona A, não se fazem pagamentos. «Há um delay». Apenas no final da consulta farmacêutica o paciente se dirige à caixa. 

Na zona B, são dispensados os cremes, os produtos de puericultura, alguma fitoterapia, os alopáticos.  

Esta revolução na forma de atender os pacientes de várias freguesias, 2.200 pessoas, entre Talhadas, Reigoso e Ribeiradio, a união de freguesias de Cedrim e Paradela e ainda Préstimo, em Águeda, implica a abertura de uma linha de «comunicação com os clínicos». «Sempre que necessário, escrevemos uma carta ao médico. Em caso de urgência, telefonamos», explica Paulo Nogueira. Um «mapeamento» da situação dos doentes, considerado precioso pelos médicos das redondezas.

 

O farmacêutico lembra o caso de um paciente de 52 anos a quem tinha sido prescrita uma dose alta de um antidepressivo. Como efeito secundário, passou a sofrer de disfunção eréctil. «Era uma questão de dosagem. Escrevi ao médico e, com a redução da dose, o problema ficou resolvido».

Há casos em que é o médico da extensão de saúde de Talhadas a pedir ajuda. «Tivemos um senhor de 68 anos, hipertenso, polimedicado. Detectámos valores fora do intervalo desejado. O médico alterou a medicação e contactou-me a pedir para medir a pressão arterial durante vários dias e em diferentes horas. Fomos nós que fizemos o seguimento e depois informámos», relata Paulo Nogueira. 

Para o médico da extensão de saúde de Talhadas, António Gonçalves, esta articulação «facilita bastante» o acompanhamento dos pacientes. «Sempre que há alguma dúvida, há um diálogo com os profissionais da farmácia», explica o clínico. Assim, continua, é possível «corrigir» a medicação quando necessário. 

Além disso, na zona «sempre que há uma situação aguda, a farmácia é muito procurada. Ou porque as pessoas têm tosse, ou dores. Quando a situação se arrasta, o farmacêutico encaminha para consulta».  

E, porque é de união que se trata, quando o paciente não pode vir à farmácia, vai a farmácia a sua casa. Explica Paulo Nogueira: «Contactam-nos, e nós vamos lá entregar». Com um custo simbólico (um euro), fazem atendimentos num raio de cinco quilómetros. A procura é grande: «Fazemos cerca de 40 entregas ao domicílio por mês». 

Perto das 13h, é hora de pegar no carro. A dona Fátima, que cuida de dois idosos, de 87 e 93 anos, aguarda a chegada de Susana. «Todas as semanas, telefono e peço que me tragam os remédios», descreve.

Hoje, Susana trouxe-lhe a medicação para a senhora Olinda que, além da diabetes, sofre de insuficiência cardíaca. Para a cuidadora, este é um serviço «essencial». «Não posso deixá-los sozinhos», explica. É para isto que a União serve: Para levar auxílio onde é preciso.



Sobre o autor

Admin

uSkinned, the world’s number one provider of Umbraco CMS themes and starter kits.

Este site armazena cookies no seu computador. Esses cookies são usados para recolher informações como interage como o nosso site e permite-nos lembrar das suas preferências. Usamos essas informações para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.