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As lições e recomendações de uma classe pós-pandemia

​​​​​​​​A crise sanitária provocada pela COVID-19 evidenciou a mais-valia da rede de farmácias.​

Texto de Nuno Esteves | Maria Jorge Costa • Foto de Pedro Loureiro

Até à pandemia, o papel que as farmácias poderiam desempenhar na resolução de situações de crise não era, na opinião do presidente da Federação Internacional Farmacêutica (FIP), «suficientemente valorizado pelo poder político». A resposta à COVID-19 veio alterar as perspetivas, pela evidenciação da capacidade de adaptação dos farmacêuticos comunitários. «As pessoas compreenderam o quão úteis elas podem ser na testagem, a assegurar a medicação de doentes crónicos, na vacinação contra a COVID-19 - uma realidade em 11 países europeus -, etc…», defende Dominique Jordan.

O responsável não tem uma dúvida de que o conhecimento e as competências dos farmacêuticos comunitários são «essenciais para garantir que as pessoas mantêm os tratamentos e têm acesso aos serviços de saúde básicos», quando confrontadas com situações de emergência, e considera que os resultados alcançados durante os cerca de dois anos mais agudos da pandemia obrigam a mudanças nas políticas de Saúde. Mas também no interior da classe: «Somos bons, temos conhecimento, produzimos resultados, mas não somos comunicativos. Temos de fazer, dizer que fazemos, e frisar que serviços bons são serviços viáveis, pelo que é necessário que sejam justamente remunerados».

Dominique Jordan falava no 14.º Congresso das Farmácias, durante o pequeno-almoço internacional que teve por tema o reforço da prestação de serviços farmacêuticos pelas farmácias comunitárias, na sequência de situações de emergência, como pandemias ou desastres naturais. O evento reuniu a visão de responsáveis de Farmácia na Europa e no mundo, complementada pela experiência das farmácias portuguesas na gestão da crise pandémica, apresentada pela diretora da ANF, Teresa Almeida, que demonstrou a «importância da acessibilidade e da proatividade das farmácias» para a sociedade.


Foram várias as personalidades convidadas para o pequeno-almoço executivo e que intervieram no debate


Também presente, o presidente do Grupo Farmacêutico da União Europeia (PGEU) sublinhou que «o alarga- mento das competências dos farmacêuticos durante a pandemia reforçou  os  sistemas  de  Saúde».  Para Koen Straetmans, «as farmácias souberam assumir as novas responsabilidades que lhes foram delegadas», incluindo a renovação de receitas. Aos governos nacionais, deixou a recomendação de remunerarem «adequadamente» os serviços prestados pela rede.

A mesma ideia foi reforçada pelo presidente da Secção de Farmácia Comunitária da FIP, que voltou a salientar a importância de demonstrar às autoridades o valor das farmácias para a economia, com vista a obter a comparticipação para os serviços prestados pelos farmacêuticos comunitários, como aconteceu no Canadá durante a crise pandémica. Sherif Guorgui chamou a atenção para a necessidade de cooperação entre os serviços nacionais de Saúde e as farmácias, defendendo que «o alargamento da intervenção do farmacêutico, com comparticipação equitativa e justa, é fundamental para reduzir a pressão sobre os cuidados primários».

A presidente da ANF, que moderou a sessão, desafiou os farmacêuticos comunitários portugueses a assumir a iniciativa na mudança de paradigma. «Sem ter de pedir licença», concluiu Ema Paulino.

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