Benefícios colaterais
Estudo de impacto social do Programa Abem revela poupança de 15 milhões de euros ao Estado.
Texto de Carina Machado
Durante os primeiros cinco anos de existência, ao tornar possível às pessoas carenciadas o cumprimento da sua medicação, o Abem: Rede Solidária do Medicamento, permitiu ao Estado encaixar uma poupança calculada em mais de 15 milhões de euros. Um valor que só tem em conta os episódios de urgência e internamentos diretamente evitados pelo cumprimento das terapêuticas proporcionado aos beneficiários do Programa que, até março de 2023, já apoiou mais de 32 mil pessoas.
A conclusão é retirada do estudo de Avaliação de Impacto do Programa, entre maio de 2016 e junho de 2021, divulgado em Lisboa, durante a Conferência Abem, evento que contou com o alto patrocínio do Presidente da República.
Os dados apontam ainda que seria necessário um investimento de 147 milhões de euros para o Abem alcançar os 863 mil portugueses que todos os anos deixam de comprar os medicamentos de que precisam por não os conseguirem pagar, sendo, desse modo, o potencial de poupança para o Estado superior a 600 milhões de euros, só em internamentos e episódios de urgência evitados. «Os valores de poupanças estimadas seriam certamente superiores, mas não temos dados disponíveis que nos permitam evidenciar, por exemplo, o número de baixas mé- dicas prevenidas», sublinha Maria João Toscano, diretora executiva do Programa.
A responsável explica que o estudo teve como objetivo compreender as dinâmicas e o alcance das mudanças, medir a eficiência do valor gerado e perceber de que modo o Abem contribui para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Mas, também, produzir evidência concreta para suportar a angariação de fundos, acrescentou. «A sociedade está pouco alerta para o facto de que o acesso ao medicamento é um problema, pelo que temos de colocar o tema na agenda dos portugueses».
Em termos de repercussão na vida dos beneficiários, o Programa Abem impactou a percentagem daqueles que nem sempre conseguiam comprar os medicamentos prescritos, fazendo-a cair de 61% para 5%. De igual modo, com o Abem, a percentagem de beneficiários que deixavam de pagar outras despesas para comprar a medicação indispensável ao controlo das suas doenças diminuiu de 85% para 14%. Para mais de metade dos beneficiários, o fator a que atribuem maior relevância no Abem é o acesso anónimo e digno aos medicamentos.