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Etiquetas salva-vidas

​​​​​​Está a acontecer uma revolução na segurança dos doentes.

Texto de Rita Leça • Foto de Mário Pereira

Devia ser obrigatório!». As palavras chegam-nos com convicção. Dedo indicador bem esticado, apontado às alturas. «Muitas vezes não sabia o que fazer, quando devia tomar os medicamentos, se de manhã ou à noite. Procurava a receita e não a encontrava logo. Agora, basta olhar e ver! Está aqui a informação completa», diz António Liz Dias, apontando para a etiqueta autocolante que a farmácia lhe colou na caixa do anti-inflamatório que acabou de comprar.


«As etiquetas personalizadas de posologia deviam ser obrigatórias», defende António Liz Dias

Tem lá o nome dele escrito, para não se confundir com a medicação da mulher, e as horas a que deve tomar o seu ibuprofeno. O economista, de 82 anos, vai quase diariamente à Farmácia Teixeira, em Vouzela. De há seis meses para cá, estas etiquetas impressas pelo sistema informático vieram revolucionar a adesão dos doentes à terapêutica.



O novo programa MED180º, de Segurança na Dispensa e Toma de Medicamentos, para além das etiquetas oferece uma multiplicidade de canais de comunicação com os utentes. O sistema, que está a ser instalado na rede portuguesa de farmácias, emite resumos posológicos e disponibiliza uma aplicação de telemóvel. Os farmacêuticos e as suas equipas podem esclarecer dúvidas, fazer aconselhamento por e-mail e emitir mensagens de telemóvel às horas certas para cada utente tomar os seus medicamentos.

Já ninguém perde tempo a escrever à mão nas embalagens. A equipa pode dar ainda mais atenção à população, maioritariamente idosa, que recorre a este serviço de saúde. «O facto de colarmos as etiquetas e não estarmos a escrever nas caixas, a olhar para baixo, permitiu-nos ganhar tempo para abordar com os nossos utentes assuntos importantes no atendimento», explica a directora-técnica, Carolina Teixeira Brinca.


«Assim, os doentes podem cumprir a terapêutica correctamente», afirma a médica dentista Rita Carvalho Costa

Esta revolução nas farmácias facilita a vida a outros profissionais de saúde. Para a dentista Rita Carvalho Costa, é a garantia de que os seus doentes não trocam a medicação, nem o horário das tomas. «Nós dizemos: o antibiótico é de 12 em 12 horas até a caixa acabar, mas quando chegam a casa já não sabem qual é o antibiótico e qual é o anti-inflamatório. Se estiver escrito na caixa é muito mais fácil que cumpram a terapêutica correctamente», explica esta médica.

As etiquetas oferecem a muitos idosos uma autonomia que se arriscavam a perder. Conseguem cuidar de si próprios, tanto em casa como nos lares e centros de dia. «Às vezes, tomavam duas e três vezes os mesmos comprimidos, porque não tinham nada escrito. Depois, sentiam-se mal», relata a assistente social Ana Clara Gonçalves. «Agora, vão ver a caixa e já não há enganos», remata, com um sorriso.


«Nas escolas, muitas vezes não se dava a medicação porque não sabíamos a hora. Isso agora vem na embalagem», elogia a professora Emília Almeida

A vantagem não é só para os mais velhos. Nas escolas, «muitas vezes não se dava medicação porque não sabíamos a hora das tomas», testemunha a professora Emília da Graça Almeida. «Isso, agora, acabou», congratula-se. Também sentiu a diferença na sua vida pessoal. Quando o marido teve de ser assistido no hospital, os enfermeiros perceberam de imediato os problemas de saúde dele, graças à informação afixada nas caixas de medicamentos que toma regularmente.


«As vítimas, em stress, baralham o que andam a tomar. Agora, podemos saber tudo nas etiquetas», relata a bombeira Ana Martins

As etiquetas podem até salvar vidas em momentos de emergência. «Na maioria das vezes, a vítima está em stress. Não sabe para que efeito é a medicação, confunde, baralha…», conta Ana Martins, motorista socorrista dos Bombeiros Voluntários de Vouzela. A chegada das etiquetas à vila tornou mais rápido e seguro o socorro à população. São úteis quando a vítima está sozinha ou apenas rodeada de estranhos, mas também em ambiente familiar. Pela sua experiência, muitos parentes desconhecem a medicação das vítimas em toda a sua extensão.

A médica e a socorrista destacam a vantagem de as etiquetas de posologia impressas acabarem com as dúvidas e os erros de interpretação de palavras escritas à mão. Por outro lado, evitam os frequentes e azarados borrões da tinta de caneta, que tantas vezes ainda encontram nos sacos dos medicamentos das pessoas que assistem.

«Confiança, segurança e autonomia». A equipa da Farmácia Teixeira associa as etiquetas a estes valores decisivos no mundo dos medicamentos. O sistema já permitiu detectar e corrigir erros de posologia no momento da dispensa, como a duplicação de medicação com origem em prescritores diferentes. «Ainda hoje uma senhora foi a casa de propósito buscar um saco cheio de medicamentos para nós lhe colarmos, etiqueta por etiqueta, nas caixas respectivas. Fantástico, não acham?», conta, a sorrir e orgulhosa, Maria José Cardoso, farmacêutica substituta da directora-técnica.


As farmacêuticas Maria José Cardoso e Carolina Teixeira Brinca ganharam tempo para aconselhar os doentes

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