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Europa, querida Europa

​​​​​​​​​​​​​Duarte Santos eleito presidente da organização europeia das farmácias.

Texto de Carina Machado • Foto de Pedro Loureiro

As farmácias e os farmacêuticos comunitários europeus elegeram um português para os  representar em Bruxelas. Duarte Santos será em 2020 o novo líder do Grupo Farmacêutico da União Europeia – PGEU.  A organização, que se assume como a voz das várias associações do sector na Europa, tem como missão dotar os decisores em Bruxelas da melhor evidência sobre o valor das farmácias e dos farmacêuticos, e de como podem contribuir para a melhoria dos sistemas de saúde. O objectivo último do PGEU – onde se incluem a Ordem dos Farmacêuticos e a Associação Nacional das Farmácias – é colaborar no desenho das políticas europeias.

Aos 35 anos, Duarte Santos descreve-se como um farmacêutico português «apaixonado pela profissão e pelo seu país». Considera-se um homem de sorte, por colocar essa paixão ao serviço dos colegas da Europa. «Esta é uma missão altruísta, em que nos colocamos ao serviço de um todo. Ora, as farmácias portuguesas são uma referência mundial. Se temos uma visão clara e uma estratégia correcta, se está bem pensada e é madura, se pode ser replicada e se adapta, ela deve ser partilhada». As farmácias de Portugal podem, sem falsos complexos, exportar boas práticas.



Na Europa, há diferentes velocidades de desenvolvimento, também no que respeita às farmácias. A capilaridade, o relacionamento próximo com as pessoas, o compromisso com a formação profissional contínua e a disponibilidade para trabalhar com outros profissionais de saúde são características transversais às diferentes redes nacionais. Duarte Santos destaca a «ambição comum de fazer mais pelo desenvolvimento dos sistemas de saúde e por uma melhor gestão dos recursos».

Os países também aproveitam de forma muito diversa os benefícios das farmácias e dos seus profissionais. O presidente eleito do PGEU propõe, por isso, o desenvolvimento de modelos de avaliação da intervenção das farmácias a nível europeu, úteis à sua integração nos sistemas de prestação de cuidados de saúde, públicos e privados. «Estamos a trilhar um caminho de evolução profissional e de prestação de serviços que não teme ser sujeito à determinação robusta do seu valor. Se estamos totalmente certos da mais-valia que trazemos aos sistemas e do muito que podemos ainda contribuir, não queremos desenvolver prestações que não são compreendidas ou valorizadas por quem tem de as usar ou financiar», defende Duarte Santos.



O PGEU, garante o seu próximo presidente, «não fala do farmacêutico só porque sim». Há muito que ficou para trás «o discurso puramente corporativista». O Grupo Farmacêutico da União Europeia acredita que os profissionais de Farmácia fazem sentido numa equipa multidisciplinar. Só o trabalho conjunto e integrado com as restantes profissões da saúde pode dar garantias aos cidadãos de que eles são, de facto, o centro do sistema. «Estamos certos de que pensar e agir assim representa uma oportunidade não só para as farmácias, mas para todos os profissionais de saúde, para que possam dedicar tempo de qualidade a cuidar dos doentes, de forma estruturada», expõe Duarte Santos.

O ano 2020 encerra vários desafios. Na agenda da presidência portuguesa do PGEU estão temas como a directiva dos medicamentos falsificados, a digitalização da saúde, as faltas de medicamentos e o financiamento dos sistemas de saúde. «Para lá disto, não podemos demitir-nos de pensar o futuro. É fundamental antecipar e medir os riscos, e encontrar oportunidades, em temas como a big data ou a e-health, para capitalizar a intervenção profissional dos farmacêuticos comunitários», antecipa o presidente eleito.​
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Duarte Santos afirma «a disponibilidade das farmácias para assumirem novos papéis nos sistemas de saúde» ​

Duarte Santos estabeleceu dois eixos estratégicos para o mandato. Primeiro, «materializar a disponibilidade das farmácias para assumirem novos papéis nos sistemas de saúde, contribuindo para a respectiva eficiência económica e a satisfação das reais necessidades dos cidadãos». Segundo, «contribuir para manter vivo o sonho de uma Europa unida», compromete-se o presidente eleito, que iniciará o mandato a 1 de Janeiro.

Duarte Santos é mestre em Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e frequenta actualmente o Programa de MBA da AESE Business School. É farmacêutico comunitário e, desde 2008, proprietário da Farmácia Nova de Carnaxide, em Lisboa. Presidiu à Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos entre 2011 e 2015. É membro da Direcção da Associação Nacional das Farmácias desde 2013 e seu delegado no PGEU e na International Pharmaceutical Federation (FIP). É professor convidado na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa desde 2014. Assumiu, em 2016, a direcção da revista Farmácia Portuguesa.

Sobre o autor

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