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Farmácias apostam nos genéricos

O objectivo é fazer subir, pela primeira vez na História do SNS, a quota de mercado para os 50%.

Texto de Pedro Veiga

​As farmácias estão empenhadas em promover o crescimento da quota de mercado dos medicamentos genéricos para os 50%, um objectivo nunca antes alcançado, que está a três pontos percentuais de distância.

O compromisso da rede de farmácias com os genéricos não é de hoje. Ainda recentemente, ANF e Ministério da Saúde concluíram um longo processo negocial que culminou na criação de um regime de incentivos à dispensa destes medicamentos.

Para Paulo Cleto  Duarte, esse foi mais um passo em direcção ao aumento de um mercado «que tem de continuar a crescer». O presidente da ANF garante que «as farmácias tudo  farão  nesse  sentido»,  já  que  a aposta reforçada na dispensa de genéricos «trará benefícios para os utentes, mas também para o Estado e para as próprias farmácias».

«O aumento da dispensa de genéricos será benéfico para todos, porque gera poupança», enfatiza o responsável, acrescentando que, por um lado, as farmácias vão ajudar a garantir aos  portugueses  o  acesso a medicamentos  mais  baratos  e, por outro, «é essa  poupança  que vai permitir que as farmácias sejam remuneradas por outros produtos ou serviços».

A quota de mercado dos genéricos está, há vários meses, estabilizada em torno dos 47%. De acordo com o INFARMED, a estagnação pode ser explicada, em parte, pelo facto de alguns utentes ainda desconfiarem da qualidade destes medicamentos. Isto apesar dos repetidos estudos científicos que comprovam a sua fiabilidade. Por essa razão, as farmácias estão a fazer um esforço extra para esclarecer os seus utentes.

Mais: sendo a gestão do dia-a-dia das farmácias, na maioria dos casos, suportada pelo Sifarma, esta ferramenta informática está já a ser alvo de um processo de optimização para tornar ainda  mais  fácil  a  dispensa destes medicamentos. Segundo Cristina Gaspar, vice-presidente da Direcção da ANF, «os desenvolvimentos previstos [para o Sifarma] vão permitir que as farmácias tenham acesso facilitado aos indicadores mais relevantes sobre o mercado de genéricos, algo essencial quando se quer fazer subir a quota de mercado e ser mais eficaz na gestão da rentabilidade da farmácia».

Mas há outras iniciativas em curso, e algumas tão simples como a introdução de ajustes na organização do espaço  das farmácias, de modo a tornar mais intuitivo o acesso dos colaboradores aos medicamentos genéricos durante o atendimento.

Poupança com genéricos ultrapassa 2,5 milhões de euros
A dispensa de medicamentos genéricos nos primeiros dois meses de 2017 garantiu poupanças de 65 milhões de euros ao Estado. De acordo com o Centro de Estudos e Avaliação em Saúde, a dispensa de genéricos permitiu uma poupança acumulada de ​mais de 2,5 mil milhões de euros desde 2011.

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