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Formamos crianças saudáveis

​​​​O programa Phuturo Saudável já chegou a centenas de crianças.

Texto de Sónia Balasteiro • Foto de Ricardo Meireles

 
Farmácia do Calendário - Famalicão​
 
Sofia sorri, tímida. Deixa os olhos azuis deambular, à procura das palavras. A menina, de dez anos, está feliz. Em pouco mais de um mês, emagreceu 2,1 kg. Mais importante: na farmácia, aprendeu a comer. O seu prato tornou-se mais colorido, com mais verde e cor-de-laranja. Também Vitória, de sete anos, agora divide o prato ao meio: «Metade tem de
estar com salada, e a outra com batata, arroz ou massa, mais a carne ou o ovo». Aprendeu aqui a comer com um garfo mais pequeno, «pouco de cada vez». E a mastigar bem os alimentos. Em mês e meio perdeu um quilo. 
 

 
Tudo começou em casa da directora-técnica, Alexandra Esteves. Mãe de dois rapazes, de dez e sete anos, sentia dificuldades em impor-lhes regras e limites alimentares. A experiência como farmacêutica comunitária fê-la perceber que a maioria das famílias enfrenta o mesmo problema. Por isso, decidiu declarar uma guerra sem tréguas à obesidade infantil.
 

A farmacêutica Alexandra Esteves percebeu que a alimentação é um problema para muitos pais​

A Farmácia do Calendário criou o programa Phuturo Saudável, que arrancou em Março e já chegou a centenas de crianças. Nos últimos meses do ano lectivo, os profissionais deste serviço de saúde correram as salas de aula do concelho a promover a alimentação saudável. Com o mesmo propósito, receberam nas próprias instalações várias turmas do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, vizinho da farmácia, e de outras escolas e colégios da cidade.
 
Estes contactos com a comunidade escolar permitiram sinalizar crianças com sinais de obesidade. Especialmente a pensar nelas, o programa Phuturo Saudável abrange, numa segunda fase, o acompanhamento individual de crianças em risco. 
 
Cada criança, acompanhada dos pais, ou de quem habitualmente cozinha para ela no dia-a-dia, é recebida num gabinete privado pela nutricionista do projecto. A avaliação rigorosa do seu estado é facilitada pelo investimento numa sofisticada balança de bioempedância, única no concelho. Este aparelho, para além do peso, revela a percentagem de gordura, hidratação, osso e músculo.
 
A nutricionista Ana Pedro estabelece uma conversa animada, negociando com a criança um plano alimentar individual, que esta assina e se compromete a cumprir. Aprender a comer é algo que tem de ser feito com muito prazer. «Deve ser fácil, agradável. Um prato bonito é um prato que abre o apetite», defende Ana Pedro. Sofia confirma. Para ela, mudar de hábitos alimentares foi «mais fácil» do que estava à espera.
 

 As crianças recebem um plano individual e comprometem-se a cumpri-lo

A mãe de Sofia soube do projecto na escola, informada pelo director de turma. Já a mãe de Mara, de nove anos, viu uma reportagem na televisão e decidiu trazer a filha. Na primeira consulta, a nutricionista fez à criança um desenho do que poderia comer. Hoje, Mara sabe as duas listas de cor e salteado: pode comer «carne peixe, arroz, ovo, batata, legumes e fruta»; e deve evitar «batatas fritas, gomas, chocolates, chupas e pastilhas».
 
O primeiro objectivo do projecto é muito preciso: cada criança deve alcançar um percentil de Índice de Massa Corporal abaixo de 85, como recomenda a Direcção-Geral da Saúde. Das 50 crianças que, desde Março, começaram a fazer consultas individuais, muitas já atingiram esse objectivo.
 
O segundo objectivo, de médio prazo, é alterar comportamentos, tornando natural o que é saudável e estranho o que é prejudicial. As consultas de seguimento, garantidas pela nutricionista e por farmacêuticos, prolongam-se por seis meses, para que os novos conhecimentos sejam bem assimilados. Neste momento, 22 crianças continuam a ser seguidas.
 
A equipa da farmácia monitoriza a evolução de cada criança e ajuda as famílias a fazer as escolhas certas. O excesso de açúcar e de sal nos alimentos é tema assíduo das consultas de seguimento. O farmacêutico Pedro Monteiro especializou-se em ensinar as crianças a ler os rótulos dos alimentos. Hoje, foi a vez de Mara receber essa lição. «É importante a criança saber qual é a informação a tirar, comparar alimentos diferentes e perceber qual é mais saudável», explica o profissional.
 

O farmacêutico Pedro Monteiro ensina os jovens a ler os rótulos dos alimentos

As crianças gostam de aprender e muitas vezes tornam-se promotoras de bons hábitos no seio das famílias. Vitória, de sete anos, faz de polícia nas idas ao supermercado. «Eu não reparava nos rótulos, mas ela agora chama-me a atenção», conta a mãe. Há dias, o alerta surgiu no pequeno-almoço em família. «Mãe, tu vais comer isto? Não podes, é demasiado doce», censurou Vitória.
 
A mudança de hábitos não pode ser um acto isolado da criança, mas de todo o agregado familiar.
 
«Os cuidadores têm um papel fundamental», diz a nutricionista Ana Pedro. Vitória garante que a sua família «está toda» neste projecto. A mãe sente que «foi muito importante ela perceber que é conveniente ver a composição dos alimentos».
 
A equipa do programa Phuturo  Saudável contratualiza com as crianças a prática de exercício físico. Sofia faz natação e equitação. Vitória tem aulas de dança, natação e patinagem. Mara prefere ginástica acrobática.
 
O sucesso do projecto é medido em aprendizagem. «Não queremos chegar ao final e dizer que perdemos determinado número de quilos. O sucesso é a criança saber fazer as melhores escolhas», explica Pedro Monteiro.
 
A longo prazo, o grande objectivo do programa é prevenir a obesidade nos adultos, com isso evitando doenças associadas, como a diabetes, o excesso de colesterol ou a pressão elevada. «Os ganhos em saúde são tremendos», nota a directora-técnica.
 

 

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