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«Gostava que esta medida ficasse após a pandemia»

​​Pai e filha têm esclerose múltipla. Receber os medicamentos em casa é uma «preciosa ajuda».

Texto de Irina Fernandes e Rita Leça

Os 26 anos não trouxeram só alegrias a Mónica Descalço, com o nascimento do segundo filho. Trouxeram também o diagnóstico de uma doença que, até então, só se tinha revelado de forma mais ou menos discreta: esclerose múltipla. Seguiu-se outra descoberta aterradora. «Pelos meus sintomas, percebemos que o meu pai tinha a mesma doença», lembra a alentejana, a viver em Beja. Hoje, nove  anos depois, ambos estão estáveis, mas a precisar de viajar 140 km até ao Centro Hospitalar de Setúbal todos os meses, para terem os medicamentos de que precisam.

«Quando percebi que podia receber a medicação em casa, por causa da pandemia, falei logo com a Farmácia Silveira Suc, aqui em Beja, onde já sou utente habitual. Foram muito prestáveis. Na data e hora marcadas, trouxeram a medicação para mim, para o meu pai e mais uns quantos medicamentos de que precisava», conta Mónica Descalço. «Foi uma ajuda preciosa», remata.


​O pagamento foi feito por multibanco, cujo terminal a farmacêutica Gabriela Martins levou, juntamente com o saco dos medicamentos. 

«Foi muito prático e simples. Gostei muito», conclui Mónica. No seu caso, a medicação é em forma de comprimidos, mas o pai, António Descalço, precisa de injectáveis. 

​​​​​​A farmacêutica Gabriela Martins, de 27 anos, que protagonizou a entrega ao domicílio, testemunhou ao vivo a satisfação de Mónica.

«A Mónica é autónoma, mas há pessoas com esta doença que não são. Via-se que estava muito agradecida por lhe levarmos os medicamentos», relata a profissional, revelando que a entrega dos medicamentos ao domicílio é feita, habitualmente, no próprio dia porque Beja não é uma cidade muito grande. 

Em tempo de crise pandémica, a dispensa de medicação hospitalar «torna-se ainda mais importante» defende, por sua vez, a directora-técnica da Farmácia Silveira Suc, Ana Monge.

​«Com este apoio, o utente deixa de ser obrigado a ir ao hospital e isso é o mais importante. É preciso não esquecer que são pessoas comprometidas a nível de saúde e por isso devem estar afastadas de focos de contágio», sublinha Ana Monge.



As deslocações regulares ao hospital para adquirir a medicação comportam o risco de múltiplos contágios vinca ainda a profissional de 29 anos. «Estamos a falar de utentes de diferentes zonas do país que se dirigem ao mesmo hospital. Se existir um foco de infecção nessa unidade hospitalar, os utentes, que lá vão e que depois regressam às suas zonas de residência, acabam por levar a doença para essas localidades».

Com a ameaça do novo coronavírus, Mónica passou a trabalhar em casa, com a dificuldade inerente  a juntar a dois filhos pequenos (de 9 e 11 anos) em telescola. Desafios a que se somam os decorrentes da esclerose múltipla. «No início foi difícil, tinha muitos surtos e ainda não sabia qual era a melhor medicação. Agora, estou estável e até faço desporto e yoga nas horas vagas», conta. Mónica Descalço não sai de casa desde 13 de Março mas faz exercício físico «todos os dias».     

«O médico deixa-me sair de casa, se tiver os cuidados de protecção, como as restantes pessoas. Mas tomando imunossupressores, prefiro não arriscar», explica. Já o pai, António, de 62 anos, escolheu a casa no monte da família para, juntamente com a mulher e outra filha esconder-se do vírus. 

Para já, o futuro é difícil de adivinhar, mas Mónica tem um desejo: «Todos os meses, perco um dia de trabalho para buscar a medicação ao hospital e gasto mais de 50 euros em gasolina, portagens e alimentação. Por isso, gostava que esta medida fosse mantida após a pandemia». 

​Também Ana Monge defende a continuidade da dispensa de medicamentos hospitalares através da farmácia comunitária. 

«Entregar os medicamentos na casa dos utentes permite que tenham menos contacto com o exterior. Através deste serviço estamos a proteger o utente e, com isso, a fazer um trabalho de saúde pública», diz. 

Numa altura em que o país dá os primeiros passos no sentido do desconfinamento, a farmacêutica Ana Monge considera que é ao balcão da farmácia comunitária que os doentes crónicos podem contar com um atendimento de maior proximidade.  

«Nós conhecemos o histórico do doente e estamos a par de outros pormenores da sua vida, tais como se está com gripe ou se está, por exemplo, a tentar engravidar. Temos uma grande ligação ao doente», sustenta.  

À data de quarta-feira, 13 de Maio, o concelho de Beja apresentava 12 casos confirmados de infecção por COVID-19. 

«A população tem sido cumpridora, toda a gente está muito consciente. Temos tido poucos casos, comparando com outros pontos do país e isso tem que ver, penso, com as boas práticas», conclui a farmacêutica Gabriela Martins.

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