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O farol de S. Julião

​​​​​​Uma Unidade de Saúde Familiar e sete farmácias da Figueira da Foz decidiram pôr em prática estratégias comuns contra a doença.

Texto de Sónia Balasteiro • Foto de Alexandre Almeida

O projecto-piloto USFarmácia está prestes a arrancar na Figueira da Foz. Sete farmácias e a unidade de saúde familiar (USF) ​de S.Julião preparam-se para partilhar informação e abraçar uma estratégia comum. Médicos e farmacêuticos acreditam que, juntos, podem responder de forma mais rápida e eficiente às necessidades da população.

José Luís Biscaia, coordenador da USF de S. Julião, apresenta-se como acérrimo defensor de um Serviço Nacional de Saúde «de rosto humano». Para ele, é óbvio que médicos e farmacêuticos devem unir esforços para «aumentar a literacia em saúde e a prevenção quaternária».

Foi com este objectivo que nasceu o USFarmácia, reunindo a USF de S. Julião, que serve cerca de dez mil pessoas, sete farmácias da respectiva área de influência, o Departamento de Serviços Farmacêuticos e o Centro de Estudos   e Avaliação   em Saúde (CEFAR) da​ ANF.  Trata-se de um projecto-piloto de partilha de informação em duas áreas ligadas à gestão da doença crónica e estilos de vida: risco cardiovascular; hipertensão e/ou dislipidemia. E outras duas agudas: cistite, infecção na bexiga muito comum nas mulheres, e a infecção aguda da orofaringe, que provoca dores de garganta e é conhecida como faringite. Este trabalho, explicou José Luís Biscaia, está «centrado no doente». O objectivo final será replicá-lo noutras zonas do país.

O projecto vai obedecer a três princípios basilares: ser centrado na pessoa, focado nos resultados e orientado num processo de cuidados. No Simpósio Científico ficamos a saber como se concretizam. Após serem sinalizados na farmácia e darem o seu consentimento para participar no estudo – de monitorização do risco, dispensa farmacêutica e aconselhamento – os utentes são encaminhados para a USF em caso de necessidade. Após a consulta, a informação é partilhada através de uma rede de informação comum às farmácias.​

 

«É necessário saber o que fazer, como fazê-lo e qual o resultado esperado. Assim, temos um procedimento definido e um sistema de informação centrado no doente e no processo clínico, fácil de aceder e multidisciplinar.

Eu tenho de saber o que foi feito na farmácia e a farmácia tem de saber o que foi feito na USF», notou José Luís Biscaia. O orador deu exemplos, a começar pelo risco cardiovascular: «Um doente vai à farmácia buscar um medicamento para a dislipidemia. É seguido por mim e pela farmácia. Tem de fazer o rastreio. E depois? Tem de se tomar uma decisão. O farmacêutico tem de saber o que fazer.   A sua intervenção pode passar por recomendações de estilos de vida. Ou pela marcação de uma consulta directamente na USF, a cuja agenda acederá através do sistema informático». Outro exemplo, agora no campo das doenças agudas: «Está definido o protocolo. Seguindo o fluxograma, torna-se possível que aquela mulher leve o antibiótico logo para casa, após fazer o teste, e que eu passe a receita referente àquele antibiótico. O mesmo se passa em relação a infecções da orofaringe».

Com áreas de intervenção com protocolos muito claros, o acto é realizado com o apoio de sistemas de informação, para desenvolver aquilo a que o médico chama de «desenvolvimento do círculo de cuidados». O sucesso do programa passa pela optimização da relação de equipa entre farmácias e USF. «É preciso acabar com a ideia de que as farmácias e as USF são inimigas. Devem antes trabalhar em conjunto», defendeu o médico coordenador.

O utente só tem a ganhar com a utilização mais racional do medicamento ​e a promoção de práticas saudáveis. «Ganha acesso, evita intervenções escusadas e diminui riscos desnecessários».

Veja aqui os testemunhos das farmácias que integram​ do projecto USFarmácia.

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