Saltar para o conteúdo principal Saltar para o footer

O medicamento certo à hora certa

​​​​​​​​Sistema personalizado de dispensa de medicamentos venceu o Prémio João Cordeiro 2016.

Texto de Pedro Veiga • Foto de Ricardo Nascimento

Farmácia Alentejana (Castro Verde)

Segunda-feira. Um comprimido em jejum, dois depois da primeira refeição do dia, mais um depois do almoço e um e meio antes de deitar. Terça-feira é parecido, mas não igual. Mantém-se a toma em jejum, mas, saciado que está o apetite matinal, não deve tomar dois mas apenas um comprimido. Ao almoço e ao jantar é igual à véspera. Quarta-feira é outra história. Novo ajuste na medicação e agora as dúvidas começam a crescer. Quinta-feira, a terapêutica é a mesma do início da semana. Sexta-feira: será que tomou mesmo a medicação ao acordar? 

Confuso? Não é caso para menos. Esta é a vida de um doente polimedicado, sempre a contas com aquilo que deve tomar e a que horas, forçado a uma atenção redobrada para garantir que a terapêutica está a ser seguida de forma exemplar. «Torna-se muito difícil de gerir», resume Maria Celeste Caeiro, da Farmácia Alentejana. «Foi por isso que nos ocorreu desenvolver o Sistema Personalizado de Dispensa de Medicamentos (SPDM)», diz.

Na prática, explica, «consiste em criar blisters semanais com a distribuição da medicação diária, o que permite que o utente cumpra a sua medicação e não esteja preocupado se consegue geri-la ou não».

Cada blister é personalizado com o nome e a fotografia do doente, e a medicação é distribuída de forma inequívoca: os dias estão identificados de modo claro e as horas da toma não deixam margem para dúvidas.

O projecto da Farmácia Alentejana está ainda em fase-piloto. Serve 52 utentes de um lar da região, entre eles «pessoas que não sabem ler e não sabem seleccionar a medicação do pequeno-almoço, almoço e jantar», esclarece Maria Celeste Caeiro. «Nós entregamos os blisters semanalmente no lar e trazemos os blisters que foram usados na semana anterior, e nessa altura damos conta de que há medicação que não está a ser tomada».

E é aqui que se dá um pequeno grande twist no trabalho da Farmácia Alentejana. A gestão do SPDM é feita através de um software desenvolvido pela própria farmácia. Os padrões de consumo são registados no computador e, se houver desvios, a comunicação entre profissionais de saúde é imediata. «Trocamos informação com a enfermeira do lar através do próprio programa se, por exemplo, alguém interrompe ou troca a medicação», revela a proprietária da farmácia. «O grande objectivo é chegar aos utentes de ambulatório, sobretudo aqueles que não sabem ler e não têm acompanhamento. Esses são o nosso alvo, porque achamos que é um projecto que tem um grande impacto a nível social e que teria um grande impacto a nível nacional».

 

Sobre o autor

Admin

uSkinned, the world’s number one provider of Umbraco CMS themes and starter kits.

Este site armazena cookies no seu computador. Esses cookies são usados para recolher informações como interage como o nosso site e permite-nos lembrar das suas preferências. Usamos essas informações para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.