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Provedores do doente

​​​​​​​​​​Farmacêuticos do Canadá ​remunerados para não dispensar medicamentos.

Texto de Carlos Enes

Os governos da maioria das províncias do Canadá contratualizaram com as farmácias um serviço de recusa de dispensa. Trata-se de uma medida de prevenção quaternária, que visa evitar danos para o doente associados ao excesso de medicamentos. Os farmacêuticos têm instruções para proceder à redução de doses ou à suspensão de tratamentos, com base em algoritmos informáticos de “desprescrição”, suportados em evidência científica. 

O farmacêutico deve agir sempre que detecte riscos para um doente resultantes de interacções medicamentosas, provenientes de prescrições de médicos diferentes ou de iniciativas de automedicação. Os algoritmos de suporte à decisão recomendam ainda a intervenção farmacêutica, para reduzir doses ou interromper tratamentos, em casos de uso excessivo de benzodiazepinas ou de inibidores da bomba de protões. A intervenção farmacêutica inclui a identificação dos riscos para o doente e a sua sinalização ao médico assistente. 

A contratualização deste serviço assenta no «reconhecimento do papel do farmacêutico enquanto profissional de saúde especialista do medicamento». Nos últimos anos, verificou-se um grande alargamento dos serviços prestados pelas farmácias, quer por contratualização pública como de outros financiadores. No Canadá, a despesa com medicamentos é financiada em partes quase iguais pelo Estado (o equivalente a 9,8 mil milhões de euros) e por planos privados (8,2 mil milhões).

A segurança com medicamentos e a adesão à terapêutica são preocupações crescentes. Em oito das dez províncias, as farmácias são remuneradas para procederem regularmente à revisão da terapêutica, com especial atenção aos doentes idosos e polimedicados com três ou mais medicamentos. O serviço consiste numa consulta farmacêutica, com a duração de pelo menos 30 minutos, realizada anualmente. Em caso de necessidade são acrescentadas eventuais consultas de acompanhamento. Para evitar a interrupção de tratamentos, podem renovar as prescrições, com notificação ao médico. Todas as províncias oferecem este serviço e na maioria delas ele é remunerado pelos respectivos governos.

​Pela facilidade de acesso, o farmacêutico é encarado como uma espécie de provedor do doente. A província do Quebeque contratualizou a disponibilidade permanente das farmácias comunitárias para aconselharem as populações, 24 horas por dia, sete dias por semana. Presencialmente, claro, mas também por telefone, chat, SMS ou e-mail. O programa da grande província francófona compreende entregas ao domicílio e alertas quando a medicação para doenças crónicas está a acabar, emitidos pela farmácia através daquelas ferramentas de comunicação. 

Os programas de vacinação em farmácia variam consoante as províncias: gripe, antipneumónica, papiloma humano, vacina combinada para a tosse convulsa, tétano e difteria. Muitas províncias contratam consultas farmacêuticas para a contracepção de emergência e a cessação tabágica. Em Ontário, o consumo de metadona obriga a prescrição médica e a supervisão directa do farmacêutico nos primeiros meses de tratamento. 

O Governo da província de Alberta contratualizou com as farmácias a gestão da doença crónica de pessoas com duas ou mais doenças, ou com uma doença associada a factores de risco. Cidadãos com hipertensão arterial, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica, asma, insuficiência cardíaca, angina de peito ou doença mental são seguidos na farmácia. O farmacêutico partilha dos objectivos terapêuticos, apoia na monitorização, intervém em problemas relacionados com a medicação, referencia os doentes para o médico sempre que necessário. 

No segundo maior país do mundo, os protocolos justificam a introdução de novos serviços nas farmácias pela «necessidade de facilitar o acesso aos cuidados de saúde».​

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