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Proximidade saudável

​​​​​​Farmácias comunitárias melhoram adesão à medicação hospitalar.​

Texto de Carlos Enes • Foto de Pedro Loureiro

A dispensa de medicamentos hospitalares por parte das farmácias comunitárias resultou numa «melhoria significativa da adesão à terapêutica das pessoas que vivem com doença», revelou Ema Paulino na IV conferência anual da Convenção Nacional da Saúde (CNV). A Associação Nacional das Farmácias (ANF) defende, por isso, a contratualização desse serviço, até agora prestado gratuitamente, à escala nacional. «Temos de ter coragem para repensar circuitos logísticos, profissionais e financeiros, de facto centrados nas pessoas», defendeu a presidente da ANF. «Seria lamentável que não tirássemos ensinamentos deste contexto pandémico para construir soluções sustentáveis e escaláveis», considerou ainda.


«Temos de ter coragem para repensar circuitos logísticos, profissionais e financeiros, de facto centrados nas pessoas», defendeu Ema Paulino

A CNS ficou marcada por um alerta, publicado no jornal Público, subscrito pelos seis bastonários das Ordens profissionais dos Biólogos, Farmacêuticos, Médicos, Médicos Dentistas, Nutricionistas e Psicólogos. «Milhões de consultas, exames e tratamentos ficaram por fazer, agravando de forma substancial a saúde dos portugueses e o bem-estar da população. Se o país não estava bem antes da pandemia, agora está pior», denunciaram aqueles responsáveis.


«O risco é máximo, a urgência é máxima», alerta o presidente da Convenção Nacional da Saúde

O presidente da CNS identificou esses atrasos como «o ponto de partida» da conferência e reforçou o alerta. «O risco é máximo, a urgência é máxima», disse Eurico Castro Alves na abertura dos trabalhos, que decorreram no dia 16 de Outubro na sede da ANF. A recuperação da actividade assistencial deveria ser «o ponto de chegada» do debate. «A solução deste problema de Saúde Pública, desta segunda pandemia silenciosa, só é possível se todo o sistema nacional de saúde, público, privado e social, for envolvido nesta mudança», considerou o presidente do organismo que reúne mais de 170 entidades, dos três sectores.

O bastonário da Ordem dos Médicos apresentou a estatística dos danos causados pela pandemia na capacidade de resposta, tomando como fonte o Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS). 


«Os doentes de sempre, nomeadamente crónicos, foram ficando para trás», descreveu o bastonário dos médicos

Nos cuidados primários, realizaram-se até ao momento menos 4,5 milhões de consultas presenciais, por comparação com 2019. «Os médicos de família foram deslocados para apoiar doentes COVID, depois para lares e a vacinação. Os seus doentes de sempre, nomeadamente crónicos, foram ficando para trás», descreveu José Miguel Guimarães, para quem o Governo poderia resolver o problema com a contratação de especialistas de Medicina Geral e Familiar, porque «existem 1.600 em actividade fora do SNS».

A referenciação dos cuidados primários para os hospitais registou uma redução de 30 a 50 por cento, consoante as especialidades. Como resultado, a lista de inscritos para cirurgia baixou: havia 240 mil pessoas à espera em 2019, agora há 141 mil. «Pode parecer um paradoxo, mas este número não é bom», enunciou o bastonário. Há menos pessoas em lista de espera porque os diagnósticos caíram a pique. «Temos cerca de meio milhão de doentes por recuperar, que não chegaram a entrar no sistema de consultas hospitalares», alertou. «Há nove mil diabéticos por diagnosticar e registámos uma quebra de 33 por cento no acompanhamento e diagnóstico da retinopatia e do pé diabético», exemplificou o orador principal da CNS. 

Na Oncologia, os doentes não estão a ser diagnosticados a tempo porque os exames devidos estão atrasados. Uma em cada sete mulheres não fez rastreio do cancro da mama; e uma em cada cinco do cancro do colo do útero; um em cada seis portugueses não conseguiu fazer o rastreio do cancro do cólon e recto.


«Senhor Presidente da República, hoje já não é possível ignorar!», exortou Ana Paula Martins

Perante este quadro, a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos dirigiu-se directamente a Marcelo Rebelo de Sousa. «Senhor Presidente da República, hoje já não é possível ignorar!», exortou a vice-presidente da CNS. «Já não falamos só de listas de espera, mas de uma avalanche de casos de cancro por diagnosticar, que nos chegarão em fases avançadas, com o sofrimento humano e ético que isto acarreta», disse Ana Paula Martins. «Como vamos todos olhar para os indicadores de mortalidade daqui a uma década?», perguntou. «Não podemos aceitar que Portugal não utilize todos os seus recursos e inteligência colectiva para salvar estas pessoas», concluiu.

«Eu estou muito ligado ao nascimento da Convenção», respondeu o Presidente da República, que concedeu o seu Alto Patrocínio à conferência. «Houve um momento em que um conjunto de personalidades da Saúde me veio falar de uma ideia, que era tentar ultrapassar as barreiras, as pré-convenções, e dialogar. Dialogar o público com o privado e com o social, dialogarem as várias profissões e as várias Ordens, dialogarem os profissionais e os gestores, para tentarem ultrapassar estrangulamentos», recordou. «Esta convenção foi exemplar», elogiou, «porque a força das democracias está na moderação».


«O que se pede é um plano para a reconstrução do sistema de saúde como um todo, na sua diversidade» 
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa lamenta que a Saúde seja «o último domínio de clivagem ideológica» em Portugal, bloqueio que considera já ultrapassado na Educação e na Solidariedade Social. «O que se pede para os próximos anos é um plano para a reconstrução do sistema de saúde como um todo, na sua diversidade», propôs o Presidente da República.

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