Quase cego
Médico recorda susto que pregou aos pais.
Texto de Maria Jorge Costa • Foto de Ricardo Castelo
Tem um ar sério de quem não fez grandes disparates em criança, mas aos quatro anos pregou um susto aos pais num acidente que lhe podia ter custado a visão. Estava perto de uma obra e caiu num «lago de cal». Queimou a pele numa enorme extensão do corpo. Mais tarde, partiu a perna a andar de bicicleta e foi operado.
Foi nesse período que percebeu o que queria ser quando fosse grande: médico. «Fiz amizade com os meus médicos e desenvolvi um certo fascínio pelo poder que o médico tinha sobre nós». Um homem especial fez o resto, o pediatra de quem se aproximou e com quem manteve ligação para lá da idade de consulta. «Quando faleceu, deixou-me o anel de curso. Era o dr. Duarte Pires, do Porto», lembra. O pediatra deixou-lhe também um piano, sabendo que Eurico Castro Alves tinha sido aluno do Conservatório.