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Uma questão de lógica

​​​​​​«Se posso receber o medicamento na farmácia, a 200 metros de casa, porque hei-de andar uma série de quilómetros para o levantar?».

Texto de Sandra Costa

​Farmácia Alcântara Guerreiro (Oeiras)

Carlos Ferreira foi o primeiro utente a quem a Farmácia Alcântara Guerreiro dispensou medicação hospitalar. Tudo começou quando o antigo empregado do comércio de 72 anos recebeu um SMS do Centro Hospitalar Lisboa Central indicando que podia levantar na farmácia a medicação crónica de que precisa. Carlos toma trimestralmente um medicamento injectável, na sequência de uma operação a um cancro na próstata, realizada há quatro anos. 

Perguntaram-lhe qual a farmácia onde queria receber a medicação, indicou a Farmácia Alcântara Guerreiro, de que é cliente, a 200 metros de casa. Menos de 48 horas depois recebeu uma chamada da farmacêutica Sandra Anjos: «Sr. Carlos, já cá temos a sua injecção. Não precisa ficar à espera. Bata na porta das traseiras, onde recebemos as encomendas, e eu entrego-lhe». A filha e a esposa encarregaram-se de levantar a injecção. Carlos ficou contente. «Correu tudo optimamente. A farmacêutica foi impecável. É um óptimo serviço que estão a prestar. Uma maravilha». De seguida telefonou para o centro de saúde, também perto de casa, e agendou uma hora para lhe administrarem a injecção. 

O que desta vez se resolveu tão facilmente noutras ocasiões demorava uma manhã ou uma tarde a tratar. Para ir ao Hospital de São José levantar a injecção, Carlos Ferreira apanhava uma camioneta até à estação de comboios e depois, no Cais do Sodré, um táxi até ao hospital. Fazia igual trajecto no regresso. Nem lhe passa pela cabeça ir de carro, porque «estacionar ali é um sarilho. Dentro do hospital não se pode e cá fora é como achar uma agulha num palheiro», explica. Raras são as vezes em que a deslocação para levantar a medicação coincide com a consulta médica. «Pode acontecer uma vez no ano. É quase como sair o Euromilhões», graceja.   

Para Carlos Ferreira é um alívio não ter de deslocar-se ao hospital na actual fase de pandemia. Ele é um dos milhares de doentes crónicos que vieram beneficiar da nova legislação que, desde 19 de Março, agilizou a dispensa de medicamentos hospitalares através da farmácia comunitária. Em menos de um mês, a medida já respondeu às necessidades de mais de 5.600 doentes. Participam na chamada Operação Luz Verde mais de 1.750 farmácias comunitárias do continente e ilhas, apostadas em evitar deslocações desnecessárias aos serviços de saúde e diminuir o risco de infecção dos doentes mais frágeis. 

A farmacêutica Sandra Anjos considera «fantástica» a Operação Luz Verde. «Traz imensas vantagens para os utentes que necessitam de medicação crónica. Poupa-lhes muito tempo e, nesta fase de pandemia, reduz grandemente o risco de contágio». A dispensa a Carlos Ferreira foi a primeira que lhe passou pelas mãos, mas embora seja um processo diferente do habitual, achou-o «simples, rápido e intuitivo». A farmacêutica considera muito gratificante participar neste género de iniciativas. «É verdadeiramente serviço público», diz com convicção. 

«Agora é estender este serviço a outros utentes», avança. De memória, lembra-se de dois utentes da farmácia que poderão beneficiar do serviço. Sandra Anjos está disponível para continuar a dispensar medicação hospitalar na sua farmácia mesmo depois do fim da pandemia. Acha que é uma iniciativa com muito mérito para os utentes e que as farmácias têm «todas as condições» para concretizá-la. Desta vez não foi preciso explicar ao utente como utilizar a medicação, mas a farmacêutica está disponível para fazê-lo, depois de receber as devidas instruções. Move-a o conforto e segurança que este serviço representa para os utentes, mas também os benefícios para a farmácia. «Os utentes acabam por ver a farmácia como um elemento facilitador».

Carlos Ferreira também deseja ver prolongada no tempo esta simplificação de acesso à medicação. «Se posso levantar o mesmo medicamento, na farmácia, a 200 metros de minha casa, porque hei-de andar uma série de quilómetros para o levantar?».​

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