Saltar para o conteúdo principal Saltar para o footer

Um raro consenso

​​​​​​​Parlamento recomenda ao governo negociação com as farmácias.

Texto de Carlos Enes • Foto de Miguel Ribeiro Fernandes

Todos os partidos com representação parlamentar defendem medidas concretas para resgatar a rede de farmácias da crise e garantir o seu melhor aproveitamento em benefício da população. A Assembleia da República aprovou, no dia 27 de Maio, todos os projectos de resolução inspirados na petição “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS”, apresentados pelo PCP, CDS-PP e Iniciativa Liberal.

«Manifestamos toda a nossa disponibilidade para trabalharmos com a ANF, com todas as farmácias, para que os projectos sejam aprofundados e avaliados, e as respostas sejam encontradas», declarou Sónia Fertuzinhos, deputada do PS. O partido do Governo identificou os projectos-piloto relacionados com a dispensa de medicamentos hospitalares nas farmácias comunitárias como «um bom início para discutir o alargamento dos serviços que as farmácias podem prestar á comunidade».
 
O PSD concorda que «os serviços farmacêuticos podem e devem ser alargados», dando como exemplo o que aconteceu durante a pandemia, em que as farmácias criaram uma linha de atendimento gratuita, generalizaram as dispensas ao domicílio e garantiram o acompanhamento dos doentes seguidos em ambulatório nos hospitais. «O PSD considera que as farmácias devem ver reforçado o seu papel no acesso dos portugueses à saúde e espera que o governo saiba perceber os benefícios que adviriam para as pessoas do reforço da colaboração entre as farmácias e o SNS», declarou o deputado social-democrata, Álvaro Almeida.
 
Todos os partidos coincidem no diagnóstico de crise da rede de farmácias, apresentando diferentes medidas para resolver essa ameaça. O Bloco de Esquerda e o PCP defendem a revogação da legislação que permitiu a venda de medicamentos em supermercados e outras lojas. A resolução do PCP aprovada pelo Parlamento inclui esta medida. Para o deputado Moisés Ferreira, do Bloco de Esquerda, ela é indispensável para «acabar com uma concorrência completamente desleal que existe à farmácia comunitária».

A deputada Paula Santos, do PCP, apelou ao Governo para «que promova uma avaliação do modelo de remuneração das farmácias, tendo presente a experiência dos outros países». Os Verdes, parceiro de coligação na CDU, «entendem que é preciso adoptar medidas que assegurem a sustentabilidade económico-financeira das farmácias comunitárias», declarou o deputado José Luís Ferreira. Os comunistas concordam com a dispensa de medicamentos hospitalares nas farmácias comunitárias, «desde que sem custos acrescidos para o Estado e os utentes».

O CDS-PP viu aprovado o seu projecto de resolução que propõe, entre outras medidas, o aproveitamento das farmácias no acompanhamento e monitorização de doentes crónicos, na dispensa de medicamentos oncológicos e para o VIH/sida, e na vacinação contra a gripe. «O CDS reconhece o papel fundamental das farmácias comunitárias, juntando a sua voz às destes 120 mil subscritores. Por isso, acompanha várias das propostas desta petição, algumas delas já demonstradas como ganho durante a pandemia COVID-19», declarou a deputada Ana Rita Bessa.

O PAN concorda que «é necessário avaliar a dispensa de medicamentos hospitalares em contexto de farmácia comunitária», pondo como critério «a inexistência de agravamento de custos para os utentes. A deputada Bebiana Cunha defendeu que essa medida beneficiaria «as pessoas idosas e os doentes crónicos com dificuldade de aceder à medicação de que necessitam».

O deputado do Chega declarou que «salvar as farmácias é fundamental. A saúde e a proximidade são tarefas fundamentais que nos devem unir a todos». André Ventura criticou, contudo, «preconceitos ideológicos da esquerda» que em sua opinião condicionam o debate.

A Iniciativa Liberal fez aprovar dois projectos de resolução. O primeiro, recomenda ao Governo a revisão dos mecanismos de formação dos preços dos medicamentos e de fixação das margens das farmácias, com dois objectivos: garantir a sustentabilidade do sector, mas também «maior transparência». O segundo, como o do CDS, é relativo à dispensa de medicamentos hospitalares em farmácia comunitária. «Em Portugal, continua-se a pressupor, erradamente, que a introdução de medicamentos nas farmácias aumenta os custos por via
das margens. Tal pressuposição ignora o que hoje são as margens das farmácias e os grandes custos hospitalares para gerir doentes não internados, para pagar os respectivos transportes ou com crónicas dívidas à indústria farmacêutica», fundamenta o deputado João Cotrim de Figueiredo.

O vice-presidente da Assembleia da República aproveitou o consenso dos partidos na defesa das farmácias e fechou o debate com o seu testemunho. «Recordo-me bem que nos piores momentos da pandemia passava por três farmácias e nunca as vi encerradas. Fosse de dia, fosse de noite. E depois soube do relevantíssimo papel social que têm junto dos portugueses mais desfavorecidos», declarou Fernando Negrão.



Sobre o autor

Admin

uSkinned, the world’s number one provider of Umbraco CMS themes and starter kits.

Este site armazena cookies no seu computador. Esses cookies são usados para recolher informações como interage como o nosso site e permite-nos lembrar das suas preferências. Usamos essas informações para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.