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«Vacina da gripe evita mortes»

​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​O director-geral da Saúde explica que a vacina é vital para os grupos de risco, idosos e doentes crónicos à cabeça.

Texto de Maria Jorge Costa • Foto de Pedro Loureiro

Revista Saúda - Está há 15 anos na Direcção-Geral da Saúde (DGS). Como olha para este tempo?
Francisco George - Com a responsabilidade de estar à altura dos meus antecessores e de saber se estamos a fazer e a decidir no sentido correcto. Em regra, o balanço é positivo. Isto não tem que ver directamente com o trabalho da DGS, mas de todas as 120.000 pessoas que trabalham nos serviços públicos de saúde. Melhorámos a taxa de incidência da tuberculose.Estamos a diminuir a taxa da interrupção voluntária da gravidez (IVG). Há menos gravidezes adolescentes, menos crianças a morrer e menos mortes infantis. Há um conjunto de indicadores importantes, que avaliamos constantemente e nos incentivam a continuar. O nosso trabalho não é tratar os tuberculosos, isso é tarefa de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, biólogos… de todos, incluindo os cidadãos. À DGS cabe indicar as melhores práticas para tratar a tuberculose e monitorizar os seus efeitos, positivos ou não.

RS - O que espera da nova campanha de vacinação contra a gripe?
FG - É uma campanha absolutamente essencial, sobretudo para proteger os idosos e aqueles que têm doenças crónicas. Nós sabemos que a vacina da gripe não evita sempre a infecção. Mas sabemos, comprovadamente, que quem se vacina tem menor probabilidade de sofrer complicações. Podemos dizer que a a vacina é excelente para diminuir a mortalidade específica pela gripe. Protege de complicações. Quando elas surgem, são menos graves. Há menos probabilidade de um idoso morrer devido à gripe. Por isso, damos muita importância à imunização e às campanhas de distribuição e administração gratuita de vacinas a todos os que, por alguma razão, estão mais vulneráveis. É preciso ter em conta que não há vacinas para todos. Importamos menos de dois milhões e somos mais de 10. Por isso, definimos os grupos prioritários. Esta vacina, como sabemos, é especialmente distinta das outras porque é preciso revacinar todos os anos. A gripe é como a “Volta ao mundo em 180 dias". Só circula nas semanas frias. Observamos a situação no hemisfério Sul e vamos administrar as vacinas adequadas, admitindo que vão chegar ao hemisfério Norte as que acabaram de circular do hemisfério sul. O vírus vai mudando. Não há camaleão com mais mudanças do que o próprio vírus da gripe. Vamos estudando as epidemias provocadas nas semanas frias do ano do outro hemisfério e trocamos informações com a OMS, com o Brasil e adaptamos as nossas campanhas.
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RS - A taxa de cobertura vacinal dos grupos de risco atingiu 60% no ano passado. Como avalia este dado?
FG - Tem corrido, de uma maneira geral, bem. Foi importante termos optado pela vacina gratuita, distribuída em centros de saúde, disponível desde o dia 1 de Outubro.

RS - Um relatório dos CDC (Centers for Disease Control and Prevention) alertava em Setembro que 49.000 americanos morriam pela gripe, ou doenças associadas. Os CDC faziam o alerta de que era muito importante vacinar toda a população adulta.
FG - Isso só é possível se tivermos a vacina. Nós não produzimos vacinas, primeiro ponto. É preciso que todos percebam que não há produção de vacinas em Portugal e que a quota de importação das vacinas não é estabelecida pelo Governo português, nem pelas autoridades portuguesas. É a indústria que define as quotas e este ano atribuiu 1,2 milhões a Portugal.

RS - Quem não pertence a um grupo de risco deve fazer a vacina?
FG - Não temos essas ambições. A nossa ambição é proteger o mais possível a população idosa e portadores de doenças crónicas. Queremos ultrapassar as nossas metas: 60/70% da população idosa imunizada para a gripe sazonal.

RS - Continua preocupado com o ritmo de vida pouco saudável das pessoas?
FG - Está comprovado que as mortes prematuras se devem a estilos de vida pouco saudável. Um dos barómetros de saúde é saber a percentagem de mortes prematuras em cada ano. Por convenção, estipulou-se que a idade para considerar morte prematura era só 70 anos. Quanto maior for o número de doentes que morrem antes dos 70, pior estamos. Infelizmente, ainda temos 20% de portugueses que não conseguem festejar esse aniversário. Mas a evolução tem sido positiva! Esse é o trabalho feito pelo conjunto dos médicos, enfermeiros, farmacêuticos, biólogos... Mas sobretudo, quem mais trabalha para isso são os próprios cidadãos.

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