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À beira de uma nova realidade

​​​​​Helder Mota Filipe fala sobre a importância do reconhecimento de competências no desenvolvimento de uma carreira em Farmácia Comunit​ária.​

Texto de Carina Machado • Foto de Pedro Loureiro

A Associação Nacional das Farmácias e a Ordem dos Farmacêuticos partilham a preocupação relativa à atração, retenção e desenvolvimento de talento nas farmácias comunitárias. Qual é a abordagem da Ordem a este tema?
Vemo-lo, de facto, como uma preocupação, mas também como uma oportunidade para desenvolver a carreira e a profissão, enquanto respondemos a necessidades atuais. A nossa estratégia passa por identificar serviços que podem ser desenvolvidos por farmacêuticos comunitários e que, simultaneamente, acrescentem valor para o doente e para o sistema. Há dois cujo acréscimo de valor foi já reconhecido pelo Governo e que estão propostos no Orçamento do Estado para este ano, a dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade e a renovação da terapêutica crónica. A Ordem está muito empenhada em que sejam implementados durante este ano, com as condições técnicas adequadas e que exigem diferenciação dos farmacêuticos prestadores desses serviços.


«Queremos que as pessoas se sintam bem acompanhadas nos serviços farmacêuticos que recebem», diz o bastonário

Em concreto, como é que preconiza a diferenciação de que fala?
Baseada no reconhecimento de competências. Na dispensa em proximidade, por exemplo, alguns dos medicamentos abrangidos são de Oncologia, pelo que estamos a criar uma competência nessa área, tanto para farmacêuticos comunitários como hospitalares. Outra área em que é essencial o envolvimento dos farmacêuticos é na medição de dados de vida real. Para recolher e tratar dados, trabalhar em equipa cumprindo os princípios éticos e os direitos dos voluntários que entram nesses estudos, é preciso que os farmacêuticos tenham, ou devam ter, uma diferenciação em investigação clínica. Essa é a segunda competência formal que a Ordem vai desenvolver. Queremos, primeiramente, que todas as pessoas se sintam bem acolhidas e acompanhadas nos cuidados e serviços farmacêuticos que recebem, mas a aquisição de competências tem também como efeito imprimir diferenciação dentro das equipas das farmácias. Acreditamos que é um estímulo ao surgimento de uma nova realidade para os farmacêuticos comunitários. A diferenciação permite que vão evoluindo na sua carreira, acrescentando valor ao currículo, assim como as farmácias onde trabalham passam a ter argumentos para uma maior competitividade entre elas, de acordo com a competência e diferenciação do quadro farmacêutico que têm.

Já existe calendário para estas ações?
Os dois serviços de que falava, a que acres- cento a revisão da terapêutica de doentes polimedicados, que nos foi também pedido numa reunião com a equipa ministerial, é suposto desenvolverem-se durante este ano. O Conselho de Qualificação e Admissão da Ordem está a terminar, por estes dias, o regulamento para a aquisição da competência em Oncologia, que será primeiro sujeito a crítica interna e depois a consulta pública. Logo que este processo termine, o Conselho está mandatado para iniciar o regulamento da competência em investigação clínica. Outra coisa importante são as normas técnicas de boas práticas. Estamos a ultimar com os Colégios de Farmácia Comunitária e de Farmácia Hospitalar as normas técnicas para dispensa em proximidade e para a renovação da terapêutica crónica, para garantir que, em colaboração com o Ministério, a legislação que vai formatar estes dois serviços tenha em consideração os requisitos técnicos que a Ordem estabeleceu.

Tomemos como exemplo a dispensa em proximidade de medicamentos a pessoas com doença oncológica. É correto concluir que só os farmacêuticos comunitários com a competência reconhecida em Oncologia estarão aptos a prestar o serviço?
Não. O que vamos identificar, através da aná- lise da própria norma técnica, das expetativas dos profissionais e dos doentes, é quais são as intervenções que exigem conhecimentos diferenciados. Ou seja, verificar qual o nível de serviço que todos os farmacêuticos podem prestar e quais os níveis de serviço mais diferenciado que apenas quem tem competências pode fazer. É preciso combinar as normas e os requisitos técnicos com a exequibilidade e o custo-efetividade. Não podemos ser maximalistas nas exigências se isso não acrescentar valor. Note-se que não temos ainda nenhum profissional com a competência reconhecida, porque a competência ainda não existe. Temos de ir equilibrando o desenvolvimento da própria massa crítica na profissão com a proposta de serviços diferenciados que esses colegas possam fazer, de forma segura e com qualidade.

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