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A doença crónica e as farmácias não escolhem idades

​​​​​​​​Uma reflexão sobre o tema da conferência da Plataforma Saúde em Diálogo.

Texto de Mário Beja Santos (Técnico de Defesa do Consumidor)

A Plataforma Saúde em Diálogo organiza, na próxima semana, uma conferência pública​  cujo tema central será a doença crónica, nas perspectivas da prevenção e do tratamento. 

Há muito que a Plataforma hasteia a sua bandeira em torno desta causa. Pense-se na forma insistente como, há longos anos, reclama a definição de doença crónica e a promulgação de um estatuto do doente crónico junto dos órgãos de soberania. 

É uma bandeira que tem a ver com a cidadania na saúde e na solidariedade, e um reconhecimento que é devido às suas muitas associadas que representam doentes crónicos.

Há uma ideia-feita de que a doença crónica é coisa do envelhecimento. A realidade desmente-a: há crianças com diabetes, a sofrer de cancro ou de artrite reumatoide; há jovens adultos com fibromialgia, lúpus e as mais diversas doenças reumáticas; e há muitas outras situações antes de falarmos dos seniores e das suas multimorbilidades.
 
No relatório “Um Futuro para a Saúde”, impulsionado pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2014, toda a questão da doença crónica é apreciada com um novo olhar. Neste que é um dos mais importantes documentos sobre a Política de Saúde no nosso tempo - senão o mais importante, aponta-se a necessidade de um sistema centrado nas pessoas e baseado na saúde. Um sistema em que os cidadãos são parceiros na promoção da saúde e respectivos cuidados, que deverá ser sustentável e de elevada qualidade.  

De facto, face ao registo de um grande incremento na incidência das doenças crónicas de longa duração, é obrigatório que haja uma mudança de atitude, refletida nas políticas, face às pessoas nesta situação e aos serviços prestadores de cuidados e apoio. Neste que é um dos principais focos de absorção de recursos em Portugal, impõem-se novos modelos de gestão.

Mas impõe-se também uma outra atitude de prevenção da doença e na educação e literacia em Saúde, assim como o assumir de uma abordagem conjugada entre diferentes profissionais. A para da reorganização dos cuidados primários, na comunidade e no domicílio, estas são propostas que, digo-o abertamente, estão por concretizar.

A generalidade dos documentos produzidos nesta área em Portugal tende a não dar à Farmácia Comunitária o relevo que deveria ter. Há muitíssimas experiências internacionais que mostram resultados de sucesso da intervenção farmacêutica na gestão da doença crónica. 

Hoje assistimos a programas de cuidados integrados em vários países, como o Reino Unido, a Finlândia, a Irlanda, Malta, entre outros, graças à celebração de protocolos entre o Estado e as farmácias. Há um acompanhamento personalizado do doente, monitorizam-se doentes crónicos que podem sofrer de diabetes, de asma, de dificuldades respiratórias graves, etc. Este acompanhamento é permanentemente reportado ao médico e ao serviço de Saúde de referência. Fazem-se relatórios e revela-se como a gestão da doença crónica permite melhores resultados, vidas com mais qualidade, uma outra capacidade para se inserir na vida escolar, no mundo laboral, no contexto do envelhecimento bem-sucedido.

Não dissocio o futuro de doentes crónicos mais intervenientes num sistema de Saúde centrado nas pessoas e baseado em equipas onde, naturalmente, os farmacêuticos serão determinantes.

A Plataforma Saúde em Diálogo mantém o sonho de um dia ver um projecto em andamento: a realização de “O Atlas Português das Doenças Crónicas”. Há quem já tenha escrito que metade da população portuguesa sofre de doenças crónicas, mas não sabemos quantos somos, quem somos, o que fazemos, o que precisamos, quem nos trata e como nos tratamos. É um desafio que tem de encontrar realização, para bem de todos nós, para vivermos melhor quando temos doença crónica, sem comprometer os fundamentos do Serviço Nacional de Saúde.

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