ANF participa em debate sobre sustentabilidade ambiental na Saúde
O 2.º Congresso Nacional da Saúde e Ambiente destacou o impacto ambiental dos medicamentos e da vacinação sazonal nas farmácias.
Texto de Ana Rita Cunha
O impacto ambiental da integração das farmácias comunitárias nas campanhas de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19 esteve em destaque, no dia 9 de abril, na mesa-redonda “Boas práticas de sustentabilidade ambiental na saúde", realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do 2.º Congresso Nacional da Saúde e Ambiente.
«A participação das farmácias na campanha de vacinação sazonal 2023/2024 aumentou em 400% os pontos de vacinação em todo o país, para um total de 3.500. Isto permitiu reduzir em 43,1% as deslocações em viatura própria, graças à proximidade das farmácias à população», afirmou a presidente da ANF. Conforme acrescentou, estes valores traduziram-se numa redução de 41% das emissões de CO2 associadas ao uso do automóvel, o que equivale a 1.100 voos de ida e volta entre Lisboa e Bruxelas.
Durante o evento, promovido pelo Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), sob o mote “Juntos por um Planeta Saudável e Sustentável", Ema Paulino reforçou que os dados permitem afirmar a relevância da participação das farmácias nas campanhas de vacinação sazonal não só ao nível da promoção da Saúde Pública, mas também da sustentabilidade ambiental e económica – tendo gerado uma poupança de 2,4 milhões de euros em deslocações.
«A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19 apresenta, efetivamente, inúmeros ganhos para a comunidade. Além disso, a adoção de políticas que promovam a redução da pegada de carbono do setor da Saúde é essencial para minimizar o impacto ambiental», sublinhou.
A pegada ambiental do medicamento foi precisamente o foco da workshop “Que estratégias para reduzir o impacto ambiental dos medicamentos?", que contou com a participação de Diana Amaral, da Direção da ANF, no dia 8 de abril.
«As farmácias comunitárias estão cada vez mais atentas ao impacto dos medicamentos no ambiente, e desempenham um papel essencial na sua redução, promovendo o uso correto dos medicamentos, a recolha adequada de resíduos e a sensibilização da população», afirmou, realçando a importância da atuação da VALORMED na gestão dos resíduos.
A diretora da ANF apresentou ainda o Programa Sustentabilidade 2030, uma estratégia integrada que assume os princípios ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) como uma dimensão transversal da atividade da ANF e das farmácias, reafirmando o compromisso do setor com o futuro.
Diana Amaral focou, em particular, o Roteiro de Sustentabilidade das Farmácias, uma ferramenta prática de gestão que apoia as farmácias na definição e implementação progressiva de uma estratégia ESG adaptada à sua realidade operacional objetiva, procurando maximizar os impactos positivos, reduzir riscos e reforçar a eficiência, a resiliência e a capacidade de adaptação.
«Este Roteiro funciona, simultaneamente, como uma bússola, porque orienta as decisões práticas do dia a dia da farmácia, e como um compromisso, porque nos coloca, enquanto setor, do lado de quem cuida da saúde sem comprometer o futuro, traçando um caminho mais consciente, resiliente, inovador e preparado para as possíveis ameaças que possam impactar a atuação das farmácias», explicou Diana Amaral. «Este é não apenas um compromisso com o futuro, mas uma necessidade urgente do presente», concluiu.