ANF subscreve Manifesto de Lisboa para a Saúde Sustentável
A assinatura do documento decorreu num seminário internacional, onde a ANF destacou o contributo das farmácias para um sistema de saúde mais sustentável.
Texto de Ana Rita Cunha | Fotografia de Paulo Alexandrino
No dia 13 de maio, foi assinado o Manifesto de Lisboa para a Saúde Sustentável, por vários stakeholders do setor da Saúde, incluindo a ANF, durante o seminário internacional “Promover serviços e cuidados de saúde sustentáveis". O documento, desenvolvido no âmbito do Plano Nacional de Saúde 2030, reforça o compromisso coletivo com a construção de um sistema de saúde mais sustentável e resiliente, capaz de proteger o planeta e as gerações futuras, sem deixar ninguém para trás.
«O Plano Nacional de Saúde 2030 não é um mero exercício de planeamento; é uma escolha da sociedade: a de que queremos um país mais saudável, mais equitativo e mais sustentável. O Manifesto que hoje assinamos é, por isso, um reforço público deste compromisso estratégico», afirmou a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, acrescentando que o documento constitui igualmente «um ato de responsabilidade intergeracional».
Na sessão de abertura do evento, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, sublinhou que a sustentabilidade no setor da Saúde implica «a otimização dos recursos para garantir um acesso equitativo» aos cuidados de saúde, bem como a redução do impacto ambiental associado aos serviços de saúde. «Aprendemos com a história recente que um sistema de saúde não pode ser reativo, mas sim sustentável. Só assim podemos ter serviços de saúde que sejam resilientes e que estejam preparados», afirmou.
Por sua vez, a presidente da ANF destacou que a sustentabilidade em saúde é «um desafio incontornável que exige uma abordagem estruturada, integrada e orientada para as necessidades das pessoas». «A resposta não passa apenas por mais recursos, mas por melhor organização, maior proximidade e maior capacidade de resposta integrada. Passa também por garantir melhor acesso, melhores resultados em saúde e uma utilização responsável dos recursos, reduzindo simultaneamente o impacto do próprio sistema na sociedade e no ambiente», referiu.
No painel “Serviços e cuidados de saúde sustentáveis: experiências e progresso em Portugal", Ema Paulino salientou que as farmácias comunitárias, pela sua capilaridade e proximidade à população, podem assumir um papel importante na resposta a este desafio, através da prestação de serviços essenciais, capazes de gerar valor em saúde, como as campanhas de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19, e a dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade.
A presidente da ANF destacou ainda o Programa Sustentabilidade 2030, com particular foco no Roteiro de Sustentabilidade das Farmácias, uma estratégia integrada que assume os princípios ESG (Ambientais, Sociais e de Governança). O Roteiro reafirma o compromisso do setor com o futuro, procurando maximizar os impactos positivos, reduzir riscos e reforçar a eficiência, a resiliência e a capacidade de adaptação das farmácias comunitárias.
O painel contou também com a participação de André Trindade, presidente da Administração Central do Sistema de Saúde; Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada e da União Europeia de Hospitalização Privada; Maria Amélia Ferreira, do Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas; e Luís Campos, presidente do Conselho Português para a Saúde e Ambiente. Os intervenientes reforçaram a importância da colaboração entre as diferentes entidades do setor para assegurar a sustentabilidade do sistema de saúde.
«Em Portugal, estima-se que 5% das emissões de gases com efeito de estufa sejam provenientes do setor da Saúde», afirmou Luís Campos, destacando o potencial impacto da redução da utilização de recursos de saúde, através da prevenção e da integração de cuidados, contribuindo igualmente para a diminuição dos «itinerários» dos doentes.
A experiência internacional esteve também em destaque no seminário, com a apresentação do caso do Reino Unido, onde foi implementado um plano para tornar o sistema de saúde mais sustentável. «Sendo o maior empregador do Reino Unido, com 1,4 milhões de trabalhadores e responsável por 4 a 5% das emissões do país, o NHS faz parte tanto do problema como da solução», afirmou Chris Gormley, chief sustainability officer do NHS.
Segundo explicou, a estratégia passou pelo investimento em infraestruturas de baixo carbono, com vista a reduzir custos, diminuir emissões e reforçar a resiliência do sistema. Cinco anos depois, os resultados já começam a ser visíveis. «As emissões diretas da pegada de carbono do NHS diminuíram em 14% desde 2019/20, o que corresponde a um milhão de pessoas a voar de Londres para Nova Iorque», afirmou Chris Gormley, expressando igualmente o seu apoio ao Manifesto de Lisboa.
O seminário internacional, promovido pela DGS e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, com o apoio da ANF e da Embaixada Britânica em Lisboa, reuniu, na sede da ANF, várias entidades do setor da Saúde para debater estratégias capazes de contribuir para a saúde e o bem-estar sustentáveis das gerações presentes e futuras. A iniciativa foi organizada no âmbito da implementação do Plano Nacional de Saúde 2030, alinhado com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.