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Doentes crónicos em Portugal têm resultados em saúde abaixo da média da OCDE

O estudo PaRIS foi apresentado numa sessão promovida pela DGS.

Texto de Ana Rita Cunha

Portugal encontra-se abaixo da média da OCDE em várias áreas da Saúde, nomeadamente na saúde física, na saúde mental e no bem-estar. O país apresenta também um desempenho inferior ao nível das doenças crónicas, quando comparado com outros países.

Estas são as principais conclusões do estudo internacion​al PaRIS (Patient-Report Indicator Surveys), desenvolvido pela OCDE e apresentado na sessão “A Voz das Pessoas na Saúde", promovida pela DGS, a 16 de março, no Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa. O estudo envolveu 19 países e, em Portugal, abrangeu mais de 11.700 utentes com 45 anos ou mais, bem como 80 unidades de cuidados de saúde primários.

Os resultados indicam que menos de metade das pessoas que vivem com doença crónica em Portugal considera ter um bom estado de saúde geral, sendo que as suas experiências no sistema de saúde ficam, em regra, aquém da média da OCDE. Os doentes crónicos manifestam ainda insatisfação com a coordenação dos cuidados, evidenciando fragilidades na articulação entre profissionais e serviços.

Destaca-se, igualmente, a reduzida cobertura dos planos individuais de cuidados, sendo que apenas três em cada dez doentes crónicos dispõem de um plano deste tipo, o que corresponde a 35% dos inquiridos.

«Precisamos de alinhar os indicadores com o que realmente importa, como a prevenção e gestão da doença crónica. Numa sociedade como a portuguesa, que tem uma elevada carga de doença, gerir as doenças crónicas é fazer prevenção secundária», disse a Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, na sessão de apresentação e discussão dos resultados, sublinhando a necessidade de «passar para uma lógica centrada no que gera realmente valor em Saúde».

Por sua vez, a Diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, destacou a importância de «transformar» a informação do relatório em valor, apoiando decisões mais claras e eficazes. Este revela, segundo acrescentou, a necessidade de intervenções mais integradas e reforça o papel dos cuidados de saúde primários, com foco na integração de cuidados e na gestão da doença crónica.

Para responder a estes desafios, o estudo PaRIS identifica três eixos estratégicos de mudança: a transformação digital, com vista à modernização dos canais de comunicação; a personalização da resposta assistencial, incluindo a atribuição de um gestor de cuidados a cada utente e o apoio à autogestão da doença; e o reforço da confiança no sistema, o que implica medir a experiência das pessoas e investir na prevenção e na literacia em saúde.

A sessão contou ainda com a mesa-redonda “O valor da experiência das pessoas para melhorar o Sistema de Saúde", onde foi sublinhada a importância de ouvir a voz das pessoas e de promover uma maior interoperabilidade dos sistemas, garantindo um melhor acompanhamento do utente e uma coordenação mais eficaz dos cuidados. No painel, participaram Frederico Guanais, vice-diretor da Divisão de Saúde da OCDE; Gil Correia, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar; Isabel Vaz, CEO do Grupo Luz Saúde; Jaime Melancia, diretor da Plataforma Saúde em Diálogo; e Luís Matos, presidente do Conselho de Administração da ULS Gaia Espinho.

​ A ANF integrou o grupo consultivo do estudo PaRIS.

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