Encargos em saúde das famílias em Portugal estão acima da média europeia
Relatório da OCDE retrata o estado de saúde da população em Portugal, o desempenho do sistema de saúde e a dinâmica do mercado farmacêutico.
Texto de Ana Rita Cunha
Em Portugal, a despesa pública em saúde é uma das mais baixas da União Europeia (UE), correspondendo a apenas 62% do total da despesa em saúde. Esta realidade traduz-se num esforço financeiro significativo para as famílias portuguesas, que suportam pagamentos na ordem dos 38%, quer através de pagamentos diretos, quer através de seguros voluntários de saúde.
Segundo os dados do relatório “State of Health in the UE – Perfil de saúde do país 2025: Portugal", da OCDE, que retrata o estado de saúde da população, o desempenho dos sistemas de saúde e a dinâmica do mercado farmacêutico, os pagamentos diretos representam 29% da despesa em saúde das famílias. Este valor é quase o dobro da média da UE, com os medicamentos a terem um peso significativo neste âmbito, devido à reduzida comparticipação do Estado.
Neste sentido, a OCDE destaca o papel dos medicamentos genéricos na redução dos encargos das famílias, cuja quota se encontra em linha com a média da UE, mas ainda aquém dos países com melhor desempenho.
Ainda no que respeita à composição da despesa em saúde, a prevenção assume um peso particularmente baixo em Portugal, correspondendo a apenas 2,3% do total da despesa, que representa cerca de metade da média da UE.
O documento indica que a utilização dos serviços de urgência no país é a mais elevada entre os parceiros europeus, com cerca de 77 episódios por cada 100 habitantes. Destes atendimentos, dois em cada cinco foram identificados como não urgentes. Paralelamente, cerca de 1,6 milhões de pessoas estavam sem médico de família no início de 2025, verificando-se acentuadas desigualdades entre regiões.
A OCDE destaca o contributo essencial das farmácias comunitárias no setor da saúde, ao apontar como determinante o aproveitamento da capilaridade e da competência técnico-científica da rede para os resultados em saúde obtidos, recorrendo ao exemplo da participação das farmácias comunitárias nas campanhas de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19.