Estudo alerta para acesso limitado à inovação em saúde em Portugal
O inquérito, promovido pela Plataforma Saúde em Diálogo, contou com a participação de 60 associações de pessoas que vivem com doença.
Texto de Ana Rita Cunha
O acesso à inovação em saúde continua a representar um desafio para as pessoas que vivem com doença em Portugal, sendo percecionado como limitado pela maioria das associações representativas. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Perceções das Associações de Pessoas que Vivem com Doença relativamente ao Acesso à Inovação em Saúde em Portugal”, apresentado na quarta edição das “Innovation Talks: Ligados pela Inovação em Saúde”, iniciativa promovida pela Plataforma Saúde em Diálogo, com o apoio da AstraZeneca e da Ordem dos Farmacêuticos.
Entre os principais obstáculos identificados destacam-se a desigualdade territorial no acesso aos cuidados, os processos demorados de avaliação e financiamento, os critérios de elegibilidade restritivos e a reduzida articulação entre os setores público e privado. O estudo, realizado junto de 60 associações de pessoas que vivem com doença, conclui ainda que as dificuldades se concentram sobretudo no acesso a inovações farmacêuticas recentes, fármacos biológicos e imunoterapia e terapêuticas alvo ou dirigidas, com consequências diretas na qualidade de vida, no agravamento do estado clínico e no atraso no início dos tratamentos.
Perante este cenário, as associações defendem como prioridades uma maior equidade no acesso, processos de avaliação e financiamento mais céleres, maior transparência e uma participação efetiva das pessoas que vivem com doença nas decisões sobre tecnologias de saúde. Entre as medidas consideradas essenciais estão também o reforço da articulação entre os setores público e privado para facilitar o acesso e o investimento na capacitação dos profissionais de saúde e dos cidadãos para a inovação terapêutica.
Neste contexto, as farmácias comunitárias afirmam-se como um exemplo concreto de inovação em saúde, com potencial para contribuir para um acesso em proximidade mais rápido e equitativo às terapêuticas inovadoras, assegurando segurança, acompanhamento e conveniência para o cidadão, além do alívio da pressão sobre os restantes níveis de cuidados de saúde.