Estudo da Nova SBE reforça impacto das farmácias comunitárias na saúde e economia do país
O “Estudo do Valor da Rede de Farmácias em Portugal” foi apresentado hoje no 15.º Congresso das Farmácias.
Texto de Ana Rita Cunha
A rede de farmácias comunitárias em Portugal desempenha um papel central no acesso das pessoas aos cuidados de saúde e gera um contributo relevante para o SNS e para a economia do país. Esta é a principal conclusão do “Estudo do Valor da Rede de Farmácias em Portugal”, desenvolvido pela Nova SBE e apresentado hoje no 15.º Congresso das Farmácias.
De acordo com o estudo, coordenado pelos investigadores Pedro Brinca e João Duarte, 82% da população vive a menos de cinco quilómetros de uma farmácia e 41% dos cidadãos conseguem deslocar-se a pé. A proximidade estende-se a todo o território, incluindo nas zonas rurais. A partir de qualquer ponto do país, o tempo médio de deslocação até uma farmácia varia entre 7 e 11 minutos, enquanto o acesso a um hospital pode implicar deslocações superiores a 40 minutos.
«As farmácias não deixam ninguém para trás. Estão nos 308 concelhos do país e são o ponto mais omnipresente daquilo que é um serviço público», destacou o investigador Pedro Brinca, durante a sessão de apresentação do estudo.
Além disso, a rede de farmácias dispõe, em média, de quatro farmacêuticos por farmácia, um valor significativamente superior à média da União Europeia, de 2,6 profissionais por estabelecimento. Em 2025, as farmácias portuguesas realizaram 174,3 milhões de atendimentos, o equivalente a mais de 550 mil por dia útil.
A relação de proximidade e confiança com a população reflete-se também na fidelização das pessoas: 68,4% dos cidadãos afirma recorrer sempre à mesma farmácia e a maioria manifesta níveis elevados ou totais de confiança nos seus profissionais.
O estudo evidencia ainda que, perante sintomas ligeiros, 57,2% dos portugueses escolhe a farmácia como primeiro ponto de contacto com o sistema de saúde, enquanto apenas 16,5% recorre inicialmente ao centro de saúde. Cerca de 98% destas situações ficam resolvidas de imediato na farmácia, evitando deslocações ao centro de saúde ou ao hospital.
Além do impacto na saúde da população, a rede de farmácias assume um papel relevante na economia nacional e na coesão territorial. Segundo a investigação, o setor é responsável por 1,12% do PIB e por 53 mil postos de trabalho. «Estamos sistematicamente a falar da importância estratégica da Autoeuropa para o país, mas a rede nacional de farmácias tem um volume de negócios comparável, com duas vantagens: emprega muito mais pessoas e tem um papel muito maior na coesão territorial», afirmou Pedro Brinca.
A atividade das farmácias contribuiu igualmente para a sustentabilidade das contas públicas, reduzindo a despesa do SNS e devolvendo 7,8% do orçamento do SNS em receita fiscal para o Estado.
Consulte o sumário executivo do estudo aqui.