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Estudo da OCDE destaca papel da prevenção na redução dos custos em saúde

A organização aponta medidas essenciais para incentivar o envelhecimento saudável e, consequentemente, a redução dos custos para os sistemas de saúde.

Texto de Ana Rita Cunha | Imagem de OCDE

​​É essencial haver um maior foco em intervenções preventivas e cuidados domiciliários acessíveis, com vista à promoção do envelhecimento saudável, o que se traduziria também numa redução dos custos para os sistemas de saúde. Esta é a principal conclusão do estudo “The Economic Benefit of Promoting Healthy Ageing and Community Care”, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Segundo o documento, apesar do aumento da esperança de vida registada ao longo dos últimos anos, esse acréscimo não se traduz em mais anos vividos com boa saúde. Prova disso é a crescente inatividade dos idosos, em que cerca de 74% das pessoas com 65 ou mais anos na OCDE a não atingir o nível mínimo recomendado de atividade física por semana, o que tem forte impacto na obesidade, nas quedas e no declínio cognitivo, prejudiciais nas idades em análise.

Este cenário reforça a importância da prevenção e dos cuidados de longo prazo, ajudando as pessoas a envelhecer de forma mais saudável e retardando, reduzindo ou prevenindo doenças crónicas. Com este objetivo, o estudo aponta para a necessidade de incentivar o envelhecimento saudável, através de um investimento estratégico na prevenção e nos cuidados próximos da comunidade, com medidas essenciais como:

  • Maior aposta na prevenção, reabilitação e identificação de pessoas idosas em risco de deterioração da saúde, através de estratégias como campanhas de literacia em saúde e programas de exercício físico em grupo;
  • Reforço da rede de cuidados, garantindo a prestação de cuidados mais próximos das residências das pessoas, a fim de garantir que possam envelhecer bem em casa, com recurso a profissionais de saúde especializados em cuidados de geriatria, e a programas de cuidados integrados e equipas multidisciplinares;
  • Promoção de ambientes favoráveis para a população idosa, com a diversificação dos serviços de longa duração na comunidade, além de um maior financiamento e apoio para adaptação das habitações, e de opções de vida partilhada ou intergeracional.

A OCDE afirma que as medidas apresentadas não só proporcionam uma melhor qualidade de vida às pessoas idosas, como reduzem os custos para os sistemas de saúde. Ao não priorizar o envelhecimento saudável da população, os sistemas sofrem um grande impacto com os gastos com a população mais envelhecida e os necessários cuidados de longa duração.

De acordo com estimativas da OCDE, um acréscimo de 10% na despesa em prevenção associa-se, num horizonte de cinco anos, a uma diminuição de 0,9% na proporção de indivíduos com doenças crónicas. Simultaneamente, os dados indicam que um aumento de 10% na proporção da despesa em cuidados continuados domiciliários face aos cuidados prestados em instituições pode levar a uma redução de 4,9% na despesa total com cuidados continuados.

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