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Estudo revela que 40% das pessoas que vivem com doença em Portugal não cumprem a terapêutica como recomendado

A ANF participou na sessão de apresentação do estudo, reforçando o papel essencial dos farmacêuticos na adesão à terapêutica.

Texto de Ana Rita Cunha

Em Portugal, cerca de 40% das pessoas que vivem com doença não cumprem a medicação de forma consistente, sendo a ausência de sintomas a principal razão apontada para este comportamento. Esta é uma das conclusões do estudo “Adesão à Terapêutica na Doença Crónica – A Visão dos Doentes", promovido pela Servier Portugal, no âmbito do Dia Mundial da Adesão, assinalado a 27 de março.

Desenvolvido em parceria com a Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), a Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) e a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), o estudo revela ainda que uma em cada três pessoas que vivem com doença que falha a toma da medicação omite essa informação ao médico, por não a considerar relevante. Além disso, quase metade dos inquiridos admite não possuir literacia em saúde suficiente para compreender a sua própria doença.

Na sessão de apresentação do estudo, que ocorreu no dia 25 de março, a presidente da ANF destacou o «alinhamento» da equipa multidisciplinar de saúde na transmissão de informação clara e eficaz como uma oportunidade de melhoria. Este alinhamento, sublinhou, é essencial para garantir que a informação é compreendida e aplicada no quotidiano das pessoas, contribuindo para reduzir o «potencial desaproveitado» do investimento anual em medicamentos.

«As pessoas têm uma enorme confiança no farmacêutico comunitário e estas interações constituem ótimas oportunidade de intervenção», salientou Ema Paulino durante a mesa-redonda “O retrato da adesão: o que pensam e fazem os portugueses".

A presidente afirmou também que o início de uma nova terapêutica constitui um «momento importante» para a pessoa, merecendo maior formalidade, à semelhança do que acontece no Reino Unido, onde o serviço de primeira dispensa tem demonstrado ser essencial para promover a compreensão e a adesão à terapêutica.

«Em Portugal, em comparação com outros países, somos muito polimedicados», referiu, sublinhando a relevância do serviço de Preparação Individualizada da Medicação (PIM) na gestão de regimes terapêuticos complexos, que «facilita a gestão das terapêuticas pela pessoa e permite identificar um padrão de tomas que não foram feitas», ajudando na definição de estratégias para reverter essa realidade.

Por fim, a presidente da ANF evidenciou a relevância da desprescrição, apresentando como exemplo o projeto C-SENIoR, em colaboração com a ULS do Alto Minho, que permitiu reduzir em 45% a utilização de inibidores da bomba de protões em pessoas com 65 ou mais anos, «sem reaparecimento de sintomas e com melhorias da qualidade de vida».

O painel contou ainda com a participação de Cristina Vaz de Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde; de António Conceição, presidente da Portugal AVC; de Francisco Araújo, presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose; e de Pedro Pita Barros, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa. Todos os intervenientes reforçaram a importância da literacia em saúde e da comunicação eficaz entre profissionais de saúde e utentes, manifestando disponibilidade para contribuir para soluções integradas e multidisciplinares que promovam a adesão à terapêutica.​

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