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Farmacêuticos de palmo e meio

​​É de pequeno que se aprende a ser farmacêutico.​

Texto de Vera Pimenta • Foto de Mário Leitão


Farmácia Lopes – Barroselas

Logo pela manhã ouve-se um burburinho alegre nas traseiras da farmácia. É por lá que entram os alunos da turma do 4.º ano da Escola Básica de Chafé, acompanhados pela professora, Catarina Fernandes. À entrada, abrem os cacifos e encontram uma camisola ou uma bata à sua medida, personalizada com um crachá com o nome, que envergam orgulhosamente.

Divididos em dois grupos de 12, estes pequenos aprendizes de farmacêutico preparam-se para acompanhar todo o circuito do medicamento. O estafeta faz a entrega e os alunos apressam-se a tirar os medicamentos das banheiras, conferindo as encomendas e verificando prazos de validade. De seguida, dão entrada dos fármacos recém-chegados no computador. De olhares curiosos, vão aprendendo coisas novas sobre os potenciais riscos dos medicamentos e o rigor que é necessário aplicar nos bastidores da farmácia para garantir a segurança máxima dos doentes. Depois, em equipa, arrumam cuidadosamente os medicamentos nas respectivas gavetas.


A recepção de encomendas é a primeira tarefa do grupo​

A directora-técnica, Sara Araújo, explica que o projecto está assente em dois grandes pilares: a aproximação da farmácia à comunidade e a promoção da educação para a saúde. A iniciativa, que arrancou há cerca de três anos, tem sido dirigida aos alunos do 4.º ano das escolas mais próximas. Comprovado o sucesso, a intenção é agora alargar a mais agrupamentos. 

«As crianças adoram porque é tudo feito a pensar nelas», afirma, com satisfação, a farmacêutica de 32 anos. E conta que os preparativos para este dia especial exigem o envolvimento e a dedicação de toda a equipa. Fardamento, cartonagens, receitas fictícias e os circuitos das crianças são planeados ao detalhe, com todas as garantias de segurança. «Mas é muito gratificante», admite Sara Araújo, «principalmente sabendo que esta é uma profissão que dantes passava ao lado de muitas crianças, por falta de conhecimento».


A brincar, as crianças aprendem várias coisas sobre saúde, mas também sobre gestão de uma farmácia

Mas, se antes passava ao lado, a carreira de farmacêutico aparece agora no topo das respostas quando a pergunta é «O que queres ser quando fores grande?». A professora, Catarina Fernandes, de 39 anos, vai mais longe: «Há uns meses tínhamos feito um teste vocacional, em que só dois alunos disseram que queriam ser farmacêuticos». E remata, divertida: «Após a visita, essa é a resposta da maioria».

Os professores participam na experiência. São eles quem melhor conhece os alunos. Aproveitam os temas falados durante a visita para recordar a matéria dada nas aulas. «A presença deles é muito importante, especialmente para conseguirmos chegar aos alunos mais tímidos», explica a directora-técnica. Mas acrescenta: «Tudo o que seja para experimentar, eles ficam logo empolgados».

A sala dos serviços bioquímicos parece ser a que deixa mais miúdos boquiabertos. Entusiasmados, medem os valores de glicémia e a tensão arterial uns aos outros, enquanto a farmacêutica lhes ensina noções básicas sobre diabetes e doenças cardiovasculares. Num simulador de esferovite, descobrem como administrar um medicamento injectável, ao mesmo tempo que ouvem falar da importância das vacinas. Com um boneco em tamanho real, encenam a pesagem de recém-nascidos.


A administração de injectáveis e a importância das vacinas fazem parte do programa​

Com apoio da nutricionista, as crianças pesam-se umas às outras e calculam o Índice de Massa Corporal. No final, levam um cartão com os resultados de cada um e um folheto com as principais regras de uma dieta equilibrada.​

«Ter a farmácia cheia de crianças é uma energia completamente diferente», continua Sara Araújo. E explica que é muito satisfatório transmitir conhecimentos a um público que tem sempre tantas perguntas para fazer.

A professora acrescenta que muitas daquelas crianças estão habituadas a ver profissionais de outras áreas, como mecânicos ou pescadores, mas não conhecem verdadeiramente o trabalho do farmacêutico. «Os alunos conheciam a farmácia apenas do ponto de vista do utente», afirma. E garante que, embora tenham visitado outras entidades, a farmácia é aquela que mais os marcou.

Uma das últimas paragens obrigatórias é o escritório. É aqui que vão descobrir conceitos novos como o pagamento a fornecedores e a correcção de receituário. E, claro, terminada a visita aos bastidores, eis que chega a hora da prova final: o atendimento ao balcão.

Os adultos mais curiosos deixam-se ficar, enquanto observam estes recém-formados profissionais no seu faz-de-conta. Afinal, não é todos os dias que se deparam com 20 crianças numa farmácia.

À vez, uns fazem de utentes e outros de farmacêuticos. Ouve-se o som da leitura óptica e a receita está aviada. Afinal, a brincar também se aprende. No saquinho, cabe um cartão Saúda e uma embalagem de medicamentos recheada com um chocolate. «Eles adoram isto», solta a professora, «foi um mundo novo que se abriu».


No fim, todos levam para casa um 'medicamento' de chocolate

Nos dias seguintes, os pais passam na farmácia e agradecem. Em casa, os filhos não falam de outra coisa.


​Leonor e Duarte, da Escola Básica de Chafé, deixaram um agradecimento à Farmácia Lopes.

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