Farmácias comunitárias sob pressão ao nível internacional
Os crescentes desafios económicos estão a intensificar a pressão sobre as farmácias da Finlândia, Alemanha e Nova Zelândia.
Texto de Ana Rita Cunha
As farmácias comunitárias da Finlândia, Alemanha e Nova Zelândia enfrentam desafios significativos de sustentabilidade económica, que têm vindo a intensificar a pressão sobre as respetivas redes, comprometendo o acesso da população ao medicamento e a cuidados de saúde de proximidade.
Na Finlândia, estima-se que mais de 110 farmácias comunitárias se encontrem em risco de encerramento por falta de rentabilidade económica, de acordo com a Agência Finlandesa do Medicamento (Fimea), caso não sejam adotadas medidas corretivas às recentes alterações legislativas que fragilizaram a economia do setor farmacêutico no país. Em causa estão a expansão da venda de medicamentos não sujeitos a receita médica fora do circuito das farmácias comunitárias, um corte de 36 milhões de euros decorrente de alterações nos preços destes medicamentos, e a introdução de um regime fiscal mais exigente para as farmácias.
«As medidas de adaptação adotadas pelas próprias farmácias já não são, por si só, suficientes. Precisamos do apoio dos decisores políticos e de uma compreensão clara sobre que tipo de decisões asseguram verdadeiramente a continuidade dos serviços farmacêuticos», reforça o presidente da Fimea, Risto Holma, sublinhando que é essencial garantir as condições necessárias ao funcionamento sustentável das farmácias comunitárias em todo o país.
A capacidade das farmácias independentes competirem em termos de preço tem vindo a deteriorar-se na Nova Zelândia, num contexto de crescente concentração do mercado e de intensificação da concorrência entre grandes cadeias. Este fenómeno é particularmente evidente com a estratégia de expansão da Chemist Warehouse, que pretende alargar a sua presença no país para cerca de 140 lojas ao longo da próxima década, reforçando a sua posição dominante no segmento de retalho farmacêutico.
O cofundador do Independent Pharmacy Group NZ, John Saywell, afirma que a Chemist Warehouse «está a utilizar os seus descontos como estratégia de perda na área da dispensa para aumentar o tráfego nas lojas de retalho, retirando quota de mercado a todos os outros operadores, nomeadamente às farmácias locais geridas pelos próprios proprietários». Além disso, sublinha o elevado nível de cuidado e proximidade que as farmácias comunitárias dedicam às suas comunidades, bem como a necessidade de preservar uma separação clara entre os interesses comerciais e a prestação de cuidados de saúde, enquanto pilar essencial de confiança.
Na Alemanha, uma proposta de alterações ao atual enquadramento legal, que se encontra em fase de discussão, tem gerado preocupação no setor. A proposta em causa incide, entre outros aspetos, em alterações às qualificações para assumir a direção técnica e na possibilidade de serem criadas sucursais associadas às farmácias.
A ABDA – União Federal das Associações Alemãs de Farmacêuticos e a Associação Federal de Técnicos de Farmácia (BVpta) já manifestaram a sua oposição à medida. «As pessoas não querem farmácias de segunda, mas sim farmácias fortes e de serviço completo. Para isso, precisamos com urgência do prometido aumento da taxa da farmácia para 9,50€ por medicamento», sublinhou o presidente da ABDA, Thomas Preis, garantindo que a proposta enfraquece a rede e pode ser prejudicial para a população.