Farmácias de Lisboa promovem acesso gratuito e cómodo ao rastreio do cancro colorretal
A campanha “Lisboa unida na luta contra o cancro colorretal” decorre até 30 de abril nas farmácias aderentes.
Texto de Ana Rita Cunha | Fotografia de Mário Pereira
Fazer o rastreio contra o cancro colorretal é agora mais simples e cómodo. Quem o diz é Maria João Carvalho, que, no dia 24 de março, levantou pela primeira vez um kit na Farmácia Morais Sarmento, em Lisboa, no âmbito da campanha “Lisboa unida na luta contra o cancro colorretal”, que pretende reforçar a acessibilidade ao rastreio e, assim, promover o diagnóstico precoce e a prevenção da doença.
Esta já não é a primeira vez que realiza este tipo de teste, mas é a sua estreia em contexto de farmácia comunitária. «Fica mais perto», explica, sublinhando que trabalha nas proximidades da farmácia, o que torna o processo mais acessível, prático e fácil.
A campanha, promovida pela MovSaúde, em parceria com a Europacolon Portugal e a ANF, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa (CML), está a decorrer em mais de 130 farmácias comunitárias do concelho de Lisboa, tendo sido alargada até 30 de abril.
«O rastreio contra o cancro colorretal é completamente gratuito e indolor», garante a farmacêutica Carolina Rodrigues, responsável pela realização dos rastreios na Farmácia Morais Sarmento, que destaca ainda o «conforto» de levar o kit para casa e fazer a recolha no domicílio.
Durante uma visita de acompanhamento da iniciativa, realizada no dia 24 de março, a vereadora da CML com o pelouro da Saúde, Ana Simões Silva, sublinhou a relevância de «apostar na prevenção», referindo o papel essencial das farmácias comunitárias nesse âmbito. «As farmácias, pela sua proximidade e pela relação de confiança com as pessoas, são fundamentais para que o rastreio chegue a mais população», afirmou.
Ao seu lado, a presidente da ANF destacou a importância da intervenção das equipas das farmácias na sensibilização da população a este nível. «O rastreio do cancro colorretal apresenta ainda níveis de participação baixos, o que evidencia a necessidade de reforçar a sensibilização da população para a doença e para a realização do rastreio», disse.
De acordo com Ema Paulino, a iniciativa, em vigor desde 23 de fevereiro, tem merecido uma boa recetividade e adesão por parte da população elegível, o que tem permitido uma entrega de kits em linha com o que era expetável.
Por sua vez, o presidente interino da MovSaúde evidenciou as mais-valias do trabalho «em sinergia» entre as entidades envolvidas, apresentando como «essencial» o papel desempenhado por cada uma. Para Francisco Morais, esta campanha tem o potencial de «provar que o modelo e o conceito funcionam» e, consequentemente, incentivar o alargamento do projeto a outras regiões do país.
«O cancro colorretal é uma doença silenciosa, mas que, se prevenida ou detetada precocemente, tem uma taxa de cura bastante elevada, de cerca de 90%», salientou a diretora de comunicação da Europacolon Portugal, Sofia Silva, explicando que, através de um «teste simples», os casos reativos são reencaminhados para os níveis de cuidados adequados.
As farmácias aderentes estão a disponibilizar 4.000 kits de rastreios deste tipo de cancro, que é o mais prevalente em Portugal, com cerca de 10.000 novos casos diagnosticados anualmente, e uma das principais causas de mortalidade no país.
Podem participar nesta campanha os cidadãos entre 45 e 74 anos, que não tenham histórico de cancro colorretal, síndromes hereditárias associadas ou doença inflamatória intestinal, e que não tenham realizado exames de rastreio recentemente.
Encontre aqui a farmácia comunitária aderente mais próxima de si.