Farmácias do Reino Unido enfrentam desafios crescentes de sustentabilidade económica
O cenário eleva o risco de novos encerramentos de farmácias, comprometendo o acesso da população ao medicamento e a cuidados de saúde de proximidade.
Texto de Ana Rita Cunha
As farmácias comunitárias do País de Gales, no Reino Unido, enfrentam uma pressão crescente, devido aos significativos desafios de sustentabilidade económica que afetam a rede. Em 2025, 60% dos proprietários de farmácia recorreram a uma segunda hipoteca sobre a sua habitação ou às suas poupanças pessoais para manter as farmácias em funcionamento.
Os dados resultam de um inquérito promovido pela National Pharmacy Association (NPA), que contou com a participação de mais de um terço das farmácias do país, que evidenciam os constrangimentos estruturais do setor resultantes do financiamento insuficiente e do aumento generalizado dos custos operacionais.
Quatro em cada dez farmácias não conseguiram pagar as suas faturas aos distribuidores farmacêuticos, em algum momento do último ano. Este cenário aumenta o risco de novos encerramentos de farmácias e a execução de um plano de ação do Governo galês que prevê a expansão dos serviços prestados pelas farmácias, comprometendo o acesso da população ao medicamento e a cuidados de saúde de proximidade.
Nenhuma das farmácias inquiridas afirmou dispor de financiamento suficiente para assegurar, em 2025, a prestação dos serviços essenciais acordados com o Governo galês. Na realidade, 89% das farmácias deixaram mesmo de disponibilizar determinados serviços aos utentes ou começaram a cobrar por esses serviços, por terem deixado de ser financeiramente viáveis.
Nos últimos cinco anos, 32 farmácias encerraram definitivamente no País de Gales, pelo que a NPA alerta para o agravamento da situação, que se poderá traduzir em novas perdas de serviços ou em novos fechos, e apela a que haja apoios urgentes por parte das autoridades.
O País de Gales não é um caso isolado no Reino Unido. Em Inglaterra, cerca de 78% das farmácias não são sustentáveis a curto prazo, aumentando a pressão sobre as farmácias comunitárias do país, de acordo com um estudo publicado no ano passado.