Farmácias sentinela da região Oeste já realizaram mais de 1.800 inquéritos em projeto de vigilância epidemiológica
Os resultados preliminares do projeto inovador entre a ULS do Oeste e a ANF revelam um elevado potencial de replicação do modelo ao nível nacional.
Texto de Ana Rita Cunha
As farmácias comunitárias da região Oeste já recolheram dados clínicos de mais de 1.800 pessoas com sintomas agudos de infeção respiratória, tendo apoiado a realização e o registo do resultado de mais de 300 testes rápidos de vírus respiratórios, no âmbito do projeto inovador de vigilância epidemiológica, em colaboração com a Unidade Local de Saúde do Oeste (ULS do Oeste).
«As farmácias são, tal como este projeto demonstra, um parceiro estratégico pela proximidade às pessoas, pela confiança dos utentes e, acima de tudo, pelo conhecimento profundo do território», afirma a presidente do Conselho de Administração da ULS do Oeste, Elsa Baião, destacando a importância desta «colaboração interinstitucional».
Por sua vez, a presidente da ANF, Ema Paulino, afirma que os resultados preliminares são positivos e sublinha «o impacto da iniciativa no reforço das ações de promoção da etiqueta respiratória e da vacinação, e no apoio à gestão da sintomatologia aguda não grave, com potencial para reduzir a transmissão de vírus e a afluência desnecessária às urgências hospitalares».
As farmácias comunitárias aderentes, que recebem cerca de 60 mil pessoas semanalmente, assegurando uma elevada cobertura populacional, funcionam como unidades sentinela, em articulação com o Departamento de Saúde Pública e Populações do Oeste.
Para Nuno Rodrigues, coordenador do departamento, «os dados recolhidos são essenciais para aumentar e otimizar a capacidade do sistema de vigilância epidemiológica, contribuindo para respostas mais eficazes e ajustadas em cada momento», complementando instrumentos de monitorização, como o Índice HiCorr, desenvolvido numa parceria prévia entre este departamento e a ANF, e que apoia a deteção precoce de picos epidémicos.
A recolha de dados é feita através de um formulário eletrónico disponível no software das farmácias, onde os farmacêuticos registam os sintomas e testes realizados. Esta metodologia permite monitorizar a intensidade, o padrão temporal das infeções e a positividade para os diferentes vírus respiratórios na comunidade.
Os resultados preliminares do projeto inovador, suportados por uma metodologia de recolha de dados estruturada, revelam um elevado potencial de replicação deste modelo ao nível nacional, fornecendo informação estratégica para apoiar decisões clínicas e de gestão dos serviços de saúde, tanto ao nível local como nacional, permitindo respostas mais céleres, eficazes e fundamentadas em evidência.