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Inovação e renovação no Universo dos Media

​​​​​A inovação faz parte do ADN dos órgãos de comunicação social, mas pô-la em prática abre um leque de riscos e recompensas a ter em conta.​

Texto de Pedro Veiga • Foto de Alexandre Almeida

Os media são uma área profissional particularmente exposta à evolução tecnológica. O sucesso e o falhanço de uma determinada aposta acontece perante um público imenso e por isso é que Raul Carvalho das Neves, CTO da Impresa, acredita que «a inovação tem de ser algo que nós vemos como um processo».

Mas, antes de mais, é necessário distinguir inovação de mera renovação. A última refere-se às «coisas que temos de fazer no dia-a-dia para manter o nosso portfólio vivo», como o que aconteceu quando o Expresso substituiu a antiga revista e o suplemento Atual pela revista E. Por oposição, explicou o CTO da Impresa, «quando criámos o Expresso Diário foi realmente uma inovação. Passámos a ter um produto diário só no formato digital, que era uma inovação no mercado do digital pago, e ainda por cima uma edição vespertina». É um olhar novo, sem preconceitos, orientado para o longo-prazo.

E foi exactamente a pensar no futuro que o Expresso decidiu criar, em Setembro de 201​5, um canal de Snapchat para fazer a cobertura das eleições legislativas. O objectivo era capitalizar o sucesso daquela rede social no segmento 15-24 anos, «até porque se não captamos os jovens desta idade, daqui a uns anos não temos leitores». Para isso, escolheram uma jornalista de 25 anos, conhecedora da linguagem do meio e do público-alvo, a liderar o projecto. «Não podíamos pôr um jornalista do Expresso de 60 anos a fazer aquele canal porque não provocaria a adesão dos jovens», justificou Raul Carvalho das Neves.

Outros dois exemplos de inovação dentro do grupo Impresa: uma newsletter vídeo diária, feita integralmente pelo pivô do Primeiro Jornal com recurso a um telemóvel, com a antevisão dos principais temas daquele bloco noticioso e ainda a rubrica 2:59, distribuída pela página de internet do Expresso e que tenta, através do vídeo e da infografia, tornar simples temas complexos.

O CTO da Impresa sublinhou que, «para além de ser um desafio tecnológico, é também um desafio na produção dos conteúdos, porque não podem nem devem ser os mesmos em todo o lado». Por isso, refere, a inovação é a principal resposta da empresa à ameaça que paira sobre «o futuro da televisão e dos media em geral»: por um lado, a «info-obesidade, ou seja, o excesso de informação que corre nas redes sociais, nem toda ela verdadeira» e, por outro, «o hábito que as pessoas têm de que tudo o que circula na Internet é gratuito». Raul Carvalho das Neves recordou que «continuamos a ter que pagar aos nossos jornalistas para fazer coisas bem feitas e sérias» e que esse é o principal desafio para os anos que se seguem: conseguir monetizar a cada vez mais forte aposta no digital.


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