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Livros abertos

​​​​​Clube de Leitura do Museu da Farmácia apresenta escritores aos seus leitores.

Texto de Sandra Costa

Pouco antes das 21h30 de 29 de Junho, a hora marcada, mais de 70 pessoas começam a entrar na plataforma digital. Alguns são fãs fiéis do Clube de Leitura do Museu da Farmácia e já não perdem um encontro mensal. Para outros, atraídos pela oportunidade de ouvir e conversar com um dos seus autores favoritos, é uma estreia.

Gonçalo Cadilhe é o protagonista desta noite. Em directo da Figueira da Foz, onde vive, com a imagem da biblioteca pessoal por trás, está disposto a conversar sobre o seu último livro, “Por Este Reino Acima”. Afável, responde sem reservas aos temas lançados por João Baptista, programador cultural do Museu da Farmácia, e às perguntas dos leitores.

A conversa dura mais de duas horas. O autor fala do despertar do gosto pelas viagens aos oito anos, ainda escuteiro. Recorda a primeira grande viagem à África do Sul, em 1990. Confessa os vícios do surf e dos trilhos de montanha. Partilha com todos que estudar gestão de empresas serviu para «saber perfeitamente o que não queria fazer na vida». 

Já lá vão 12 conversas. Todos os meses, o Clube de Leitura do Museu da Farmácia, comunidade de Facebook com mais de 2.300 membros, propõe uma obra literária. A escolha das obras é variável. Por vezes, a intenção é abordar temas actuais, noutras homenagear escritores recentemente desaparecidos. Ao longo do mês são publicados conteúdos relacionados, como a sinopse do livro, entrevistas com o autor, podcasts, vídeos ou trailers de filmes baseados na obra. O mês termina com o convite aos fãs para participarem numa conversa com o autor, quando possível, ou com especialistas na sua obra, como editores ou tradutores.



O projecto nasceu em Abril de 2020, com o objectivo de «fazer a ligação entre literatura, actualidade e a colecção do Museu da Farmácia», explica João Baptista. «Proporcionar conversas informais e intimistas, atraindo novos públicos para a vastíssima colecção sobre Saúde do Museu da Farmácia». A ideia inicial era criar um clube de leitura presencial, onde os convidados se reunissem mensalmente nas instalações do Museu da Farmácia em Lisboa e no Porto. A pandemia trocou as voltas ao plano e as sessões passaram a ser online e públicas, o que acabou por trazer vantagens, ao permitir a participação de pessoas de todo o país, sem necessidade de deslocações. «Já nos rendemos a este modelo», confirma João Baptista.

A conversa entre Gonçalo Cadilhe e João Baptista alargou-se muito para além de “Por Este Reino Acima”, obra de 2019, que descreve a caminhada do escritor pelo percurso que Santo António terá feito no interior do Portugal medieval do século XIII. Falou-se dos entraves criados pela pandemia, da evolução das reportagens de viagem e da sustentabilidade das revistas que as publicam.


Gonçalo Cadilhe viaja de mochila às costas, sempre à procura de novos livros

O autor evita os aviões. Prefere viajar de mochila às costas, o que já lhe rendeu muitas aventuras e alguns perigos, como no Peru, quando teve o azar de estar à hora errada no sítio errado e ficou com uma arma apontada durante um assalto. Na bagagem, Gonçalo Cadilhe leva sempre um objectivo literário e muitas horas de pesquisa, única forma de garantir «um olhar informado». No terreno, procura manter acesa a capacidade de «assombro». Acima de tudo, é trabalho, implica rotina. A melhor parte é o regresso: «significa que o livro está feito!», brincou o autor.

A conversa é depois aberta aos leitores, que partilham experiências e colocam questões. Alguns ligam as câmaras, outros preferem a privacidade do chat. Apesar da hora, Gonçalo alonga-se nas respostas, procura na estante um livro para ilustrar um comentário de uma leitora, termina com algumas sugestões de leitura. Os participantes despedem-se e no chat correm mensagens de agradecimento ao Museu da Farmácia pela oportunidade. Os laços com o museu estreitam-se, há pessoas que subscrevem a newsletter semanal e passam a aceder à agenda cultural. É assim em todas as sessões, garante João Baptista. Cada sessão é única, «depende da participação e da empatia que o autor cria com os leitores», mas o saldo é sempre positivo. «É para continuar». Em Setembro, "Anna Karénina", de Lev Tolstói, será a proposta de leitura.


DOZE MESES, DOZE OBRAS

2020 
Maio: “Máquinas como Eu”, Ian McEwan
Junho: “Eliete”, Dulce Maria Cardoso
Julho: “A Sombra do Vento”, Carlos Ruiz Zafón
Setembro: “Margarida Espantada”, Rodrigo Guedes de Carvalho
Outubro: “O Velho que Lia Romances de Amor”, Luis Sepúlveda
Novembro: “A Luz de Pequim”, Francisco José Viegas

2021
Janeiro: “Viagem ao Sonho Americano”, Isabel Lucas
Fevereiro: “O Fiel Jardineiro”, John le Carré 
Março: “As 100 Melhores Crónicas”, Miguel Esteves Cardoso
Abril: “O Silêncio”, Don DeLillo
Maio: “Balada para Sophie”, Filipe Melo e Juan Cavia
Junho: “Por este Reino Acima”, Gonçalo Cadilhe

Sobre o autor

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