Saltar para o conteúdo principal Saltar para o footer

23 minutos de união

​​​​​​​​​​​Farmácias fizeram paragem simbólica no dia 27 de Maio.

Texto de Sandra Costa • Foto de Pedro Loureiro

Poucos depois das 15 horas, formou-se um pequeno aglomerado humano à porta da Farmácia Baião Santos, em Queluz, cidade de 80 mil habitantes a meio caminho entre Lisboa e Sintra. As pessoas abrigavam-se do sol abrasador nas arcadas do edifício.

Na porta fechada e nas vitrinas da farmácia estava afixado um comunicado à população da Associação Nacional das Farmácias e da Associação de Farmácias de Portugal. O cartaz expunha as razões da suspensão dos serviços, por 23 minutos, naquela quarta-feira, 27 de Maio (ver páginas seguintes). 

A paralisação simbólica de 23 minutos coincidia com o tempo agendado para o debate parlamentar da petição “Salvar as Farmácias, Cumprir o SNS”, assinada por mais de 120 mil portugueses, o que a torna a mais participada das duas últimas legislaturas. O sistema de dispensa de receitas electrónicas esteve inactivo e a linha 1400, para encomenda de medicamentos 24 horas por dia, durante três dias informou os portugueses sobre o que ia ser decidido na Assembleia da República com impacto o serviço das farmácias à população.

A directora-técnica aproveitou aqueles 23 minutos para esclarecer as pessoas. Fátima Baião Santos tinha a certeza de que a paragem simbólica seria bem acolhida. «Vão compreender que é para continuarmos a prestar serviços de apoio à população, como a dispensa de medicamentos hospitalares», declarou antes de sair da farmácia.


«Os 23 minutos, sinceramente, foram pouco», considera a utente Lucélia Silva

Não se enganou. Algumas pessoas já tinham ouvido alguma coisa na televisão, mas gostaram de trocar ideias com a farmacêutica. «Até podia ser o dia todo», comentou um utente. «O Estado deveria olhar mais para as farmácias, com olhos de ver. Os 23 minutos, sinceramente, foram pouco», concordou Lucélia Silva.

O tempo passou depressa. A farmacêutica explicou que não se tratou de uma greve, mas de um alerta para o facto de o futuro das farmácias estar a ser decidido no Parlamento. «Queremos continuar a trabalhar com o Serviço Nacional de Saúde, mas está na altura de haver uma comparticipação do Estado pelos serviços prestados», expôs Fátima Baião Santos.


Os utentes gostaram de trocar impressões com a farmacêutica sobre os problemas das farmácias

As pessoas mostraram-se preocupadas por haver mais de 700 farmácias em risco de encerramento, a maioria delas em regiões onde não há outros serviços de saúde de proximidade. «Os utentes são a nossa razão de ser. Dizemos que há luzes que nunca se apagam, porque não queremos que as luzes se apaguem nunca!», enfatizou a farmacêutica.

Às 15h23, as portas da Farmácia Baião Santos voltaram a abrir-se.

 

Sobre o autor

Admin

uSkinned, the world’s number one provider of Umbraco CMS themes and starter kits.

Este site armazena cookies no seu computador. Esses cookies são usados para recolher informações como interage como o nosso site e permite-nos lembrar das suas preferências. Usamos essas informações para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.