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Oiçam os doentes, por favor!

​​​​Ordem dos Enfermeiros e FMUL vão avaliar 12 doenças em Portugal. Os doentes vão protagonizar a escolha dos critérios. Por inc​rível que pareça, o método é revolucionário.

Texto de Maria Jorge Costa • Foto de Paulo Neto

A autorização e avaliação de medicamentos vão ter de integrar indicadores de qualidade de vida do doente para «aferir o  que, de facto, tem valor», defendeu António Vaz Carneiro, presidente do Centro de Estudos de Medicina Baseados na Evidência (CEMBE). Este centro de investigação e a Ordem dos Enfermeiros vão avaliar 12 patologias em Portugal, com base na metodologia Cuidados de Saúde Baseados no Valor, que o CEMBE desenvolve associado aos institutos Harvard e Karolinsky. A informação recolhida deverá depois ter impacto nos processos de aprovação e reavaliação de medicamentos.

Os doentes são envolvidos na selecção dos indicadores que lhes interessam. «Medir os resultados que importam aos doentes, para além da sobrevivência, é a nossa proposta», expôs. No caso do cancro do pulmão, esta metodologia conduziu a indicadores como a capacidade do doente se manter activo todos os dias, dispneia, tosse, dor, ou fadiga. E, claro, o indicador sobrevivência. «Mas temos um marcador muito importante: qualidade da morte: quanto tempo o doente fica no hospital antes de morrer e onde é que ele morre», enfatizou Vaz Carneiro.

O foco do estudo não é a mortalidade, mas a qualidade de vida, parâmetro tradicionalmente pouco medido.

 

«Não estamos a captar a realidade do que é estar doente, nem os resultados efectivos das nossas intervenções nos doentes. Os sistemas de saúde têm falhado miseravelmente neste olhar», criticou Vaz Carneiro. «É muito bonito dizer que somos patient centered mas depois não ligamos aos doentes. O SNS não liga nenhuma aos doentes. Dedicamo-nos, tentamos fazer um bom trabalho, mas ninguém pergunta ao doente como está a correr a intervenção», denunciou ainda.

A intervenção clínica das farmácias

Quanto ao papel reservado às farmácias no futuro, Vaz Carneiro não hesita em falar em «intervenção clínica». O professor da Faculdade de Medicina de Lisboa deu como exemplo a gestão da doença crónica, em que muitos tratamentos são feitos em ambulatório ou ao domicílio. «As farmácias devem estar preparadas para assumir cada vez mais um papel central na captação da informação clínica e na intervenção», declarou aos congressis​tas.

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