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Portugueses dão máscaras a farmacêuticos

​​​​​​​​​​​Movimento solidário apoia profissionais no combate à pandemia.

Texto de Rita Leça • Foto de Pedro Loureiro

Cerca de mil farmácias já estão a receber máscaras doadas pelos portugueses através do movimento “Todos Por Quem Cuida”, uma conta solidária para a qual entidades privadas e a sociedade civil contribuem de modo a garantir o material de protecção individual necessário aos profissionais que estão na linha da frente do combate à COVID-19.

«Foi uma fase muito desgastante. Tivemos de nos reorganizar, com novos horários e escalas. Colocámos acrílicos nos pontos de atendimento e comprámos equipamento de protecção para a equipa. Tudo teve de ser feito rapidamente. Muitas vezes, trabalhámos com fornecedores que não conhecíamos e de que não tínhamos referências para saber se os materiais eram os adequados», disse José Amorim, director-técnico da Farmácia Gouveia, em Benfica, durante a entrega simbólica de máscaras cirúrgicas feita pelos bastonários das Ordens dos Médicos e dos Farmacêuticos. O também proprietário da farmácia lembrou que, «no início de Fevereiro, uma máscara custava cerca de 10 cêntimos e, em Março, já custava 1,5 euros».

«Não podíamos fechar a porta a quem precisava de nós, aos nossos utentes. Foram tempos muitos difíceis, que atravessámos sozinhos. Sentimos que fomos esquecidos pelas autoridades oficiais», sublinhou, por sua vez, Ana Gusmão, farmacêutica-adjunta da mesma farmácia.


​Um esquecimento que o bastonário da Ordem dos Médicos quer ver terminado. «As farmácias fazem parte do Serviço Nacional de Saúde [SNS]. Sem elas, não existiria SNS, porque o trabalho que executam é fundamental», reafirmou Miguel Guimarães.

«Fala-se muito dos hospitais, dos centros de saúde, mas raramente se fala de cuidados absolutamente essenciais para os portugueses, que são cuidados de proximidade que garantem a quem tem doenças crónicas, e não só, o acesso aos medicamentos», enalteceu o bastonário dos médicos.

Palavras que mostram a relação fortalecida entre os profissionais de saúde, que o presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF) quis salientar: «É talvez a primeira grande vitória para o sistema de saúde, esta relação reforçada entre médicos e farmacêuticos», disse Paulo Cleto Duarte.



Sobre esta iniciativa do movimento “Todos Por Quem Cuida”, o presidente da ANF considera que é o reconhecimento do esforço das equipas das farmácias no combate ao novo coronavírus. «Desde o princípio tínhamos duas prioridades: garantir a continuidade do serviço farmacêutico e garantir que a população não deixaria de ter a medicação e os produtos de bem-estar essenciais para o seu dia-a-dia».

Já sobre o impacto da pandemia na situação financeira das farmácias, o presidente da ANF apontou que as farmácias estavam a tentar recuperar do período 2010-2015 e que «estava a começar a haver alguns sinais positivos, mas infelizmente esta situação veio agravar-se. Ainda não temos noção da dimensão do impacto, mas neste momento há cerca de 900 a 1.000 farmácias com quebras significativas na sua actividade». 

«Treze farmácias reabertas e dois casos fatais»

Além do esforço acrescido, também houve 13 farmácias que tiveram de encerrar por casos positivos de COVID-19.

«Já as reabrimos, mas também tivemos pelo menos dois casos fatais», lamentou a bastonária dos farmacêuticos. 

«As farmácias são unidades pequenas e quando num espaço há um COVID positivo, mesmo com equipas em espelho – a maior parte nem pode fazer isso, porque não tem pessoas suficientes – têm de encerrar», assinalou Ana Paula Martins.



No entanto, apesar de todas as dificuldades, o encerramento de 13 farmácias num universo de quase 3.000 farmácias é um resultado «felizmente bom», concluiu a bastonária.

O movimento solidário “Todos Por Quem Cuida”, que resulta da parceria entre a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos, com o apoio da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) e de outras instituições da sociedade civil, está a entregar 150 mil máscaras a farmácias e laboratório de análises clínicas, para apoiar o regresso à actividade regular das unidades mais fragilizadas pelo impacto da pandemia do novo coronavírus. 

«Até agora, foram recolhidos 1,2 milhões de euros, mas as necessidades são muitas. Estamos a tentar gerir o melhor possível este valor para chegar a todos, porque os pedidos são imensos e estamos a tentar ajudar em tudo aquilo que nos é possível», frisou Ana Paula Martins. 

 

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