Prevenção Lucky Luke
Estado investe em medicamento para deixar de fumar.
Texto de Irina Fernandes
Lucky Luke nasceu de cigarro na boca, mas pouco antes de chegar aos 40 anos deixou de fumar. Em 1983, o ilustrador Morris ofereceu-lhe uma palha como substituto do vício, o que lhe valeu uma medalha de reconhecimento da Organização Mundial de Saúde. O Governo decidiu ajudar os portugueses a seguir-lhe o exemplo. A vareniclina – Champix, de nome comercial – medicamento indicado no combate aos sintomas da dependência de nicotina, passou a ser comparticipado em 1 de Janeiro deste ano. Como resultado, o seu consumo disparou para o dobro.
A comunidade médica, particularmente nas especialidades mais directamente envolvidas no tratamento dos malefícios do tabaco, saúda esta política. Jaime Pina, vice-presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), é peremptório: «Este resultado é para nós um motivo de grande satisfação». Para o especialista em Imunoalergologia e Pneumologia, o recurso à vareniclina tem comprovação científica. «Os doentes que fazem o Champix têm uma percentagem muito razoável de taxa de sucesso no abandono do hábito de fumar. Portanto, estes números mostram que estamos no rumo certo».
O investimento do Estado, de acordo com a estimativa do CEFAR, rondou 358 mil euros, até ao final do mês de Maio, correspondentes ao escalão de comparticipação C (37%).
A FPP defende há muito políticas activas de apoio ao esforço dos fumadores. «Logo que saiu a Lei do Tabaco, em 2007, alertámos a Comissão de Saúde da Assembleia da República para a necessidade de se comparticipar estes medicamentos, porque são muito caros», recorda Jaime Pina. Uma embalagem de Champix, de 56 comprimidos de 1 miligrama, custa 82,75 euros. Com a comparticipação legal em vigor, que depende de receita médica, passou a custar ao utente 51,88 euros. «Como nós fazemos tratamentos, no mínimo, de quatro meses, o doente poupa pelo menos 120 euros», sublinha. A FPP defende que o Estado deve investir na cessação tabágica como faz em relação a outras toxicodependências. «A toxicodependência mais generalizada é a dos dois milhões de portugueses que fumam», considera o vice-presidente da FPP.