Proximidade e valor das farmácias comunitárias marca sessão de abertura
A presidente da ANF e o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos defenderam uma farmácia mais clínica, integrada no sistema de saúde e centrada nas necessidades das pessoas.
Texto de Ana Rita Cunha
A proximidade não é apenas um conceito. É uma prática diária, uma condição de acesso, um fator de equidade e um pilar essencial da qualidade em saúde». Foi com esta mensagem que a presidente da ANF, Ema Paulino, abriu oficialmente o 15.º Congresso das Farmácias, sublinhando o papel essencial das farmácias comunitárias no acesso das pessoas aos cuidados de saúde.
Todos os dias, destacou, mais de meio milhão de pessoas entram nas farmácias portuguesas, a estrutura de saúde mais próxima para 82% da população. «Estes números são indicadores de uma realidade estrutural: as farmácias são uma das redes de saúde mais acessíveis, mais utilizadas e mais reconhecidas pela população portuguesa», disse.
Num contexto de transformação do setor da saúde, Ema Paulino apontou a necessidade de converter este valor inquestionável entregue pela rede em políticas públicas estruturadas, defendendo uma farmácia «mais próxima, mais clínica, mais integrada, mais digital e mais sustentável» e o investimento em modelos de carreira «mais atrativos e sustentáveis», capazes de atrair e reter talento.
A importância de valorizar o papel das farmácias e de alargar o seu âmbito de atuação foi reiterada pelo bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota-Filipe, no seu discurso, garantindo que tal não constitui uma substituição do SNS, mas «permite melhorar o acesso, otimizar recursos, reduzir a pressão sobre o sistema e aumentar a eficiência e o bem-estar dos doentes». É o caso, afirmou, da intervenção das farmácias em Situações Clínicas Ligeiras, mediante protocolos pré-estabelecidos com os restantes profissionais de saúde.
Por fim, Helder Mota-Filipe destacou a necessidade de valorizar a profissão farmacêutica, num universo de mais de 17 mil profissionais, com maior investimento na formação, especialização e valorização de carreiras. O bastonário sublinhou ainda o papel da Inteligência Artificial no presente e no futuro do setor, defendendo que esta poderá reduzir a carga administrativa, melhorar a integração da informação em saúde e apoiar a decisão clínica, através de uma adoção ética e segura, sem substituir o papel do profissional de saúde.