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Se fosse ministro

​​​​​​​Ouvir toda a gente e definir o que é uma intervenção eficaz.

Texto de Maria Jorge Costa • Foto de Pedro Loureiro

António Vaz Carneiro admite ter noção das dificuldades que enfrentam os decisores políticos. «Hoje em dia ser Ministro da Saúde é uma tarefa extraordinariamente ingrata, porque as pessoas querem tudo para hoje». 

Por isso mesmo, o presidente do Conselho Científico do Instituto de Saúde Baseado na Evidência (ISBE) defende uma metodologia de trabalho que justifique os ganhos em Saúde.

Se fosse ministro, explica que a prioridade seria juntar representantes de doentes, profissionais de saúde, hospitais públicos e privados, e seguradoras. Na agenda de trabalho, um único ponto: definição de intervenção eficaz. «Só assim os decisores políticos ficam em condições para seleccionar a inovação que vai surgindo», garante. 

Esse é um trabalho urgente, defende o investigador. «Em cinco anos, a prática clínica vai mudar radicalmente e exigir abordagens diferentes». Vaz Carneiro é lapidar na urgência da reflexão e acção. E avisa: «o país não pode continuar a absorver o que vem de fora, sem pensar por que absorve aquelas coisas».

Num país como Portugal a gestão dos recursos disponíveis deve ser criteriosa, sublinha. E exemplifica: «ao optar por comprar um medicamento do cancro, deixa de se poder adquirir uma ambulância». Os recursos são limitados e a escolha é política – mas deve ser baseada na evidência.

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