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Um conto de Natal

​​​​​​​A Far​mácia Atena conta com uma possível futura farmacêutica.

Texto de Maria João Veloso • Foto de Pedro Loureiro

Farmácia Atena - Lisboa

 

Se Carminho Laranjeira Santos vier a ser veterinária perde-se uma grande actriz. Com cinco anos feitos em Julho passado, a pequena utente quer passar depressa a parte das perguntas, para vestir antes a bata de serviço e – como ela diz, muito bem – «fazer pose» para o fotógrafo.
 
A farmacêutica Liliana Sousa acha-lhe uma graça infinita, praticamente desde que nasceu. Conheceu Carminho quando esta ainda nadava em líquido amniótico dentro da barriga da mãe, Alexandra Laranjeira.
 
Sendo a Farmácia Atena a mais próxima de casa, é natural que a utente Alexandra aqui viesse comprar medicamentos sempre que necessário. Mas algumas complicações na gravidez fizeram-na entrar praticamente todos os dias por aquela porta. Corria o ano de 2011, quando no terceiro trimestre descobriu que não só tinha diabetes gestacional como também uma infecção urinária, que a obrigaram a «tomar medicação até ao final da gravidez».
 
Durante cerca de três semanas teve que levar injecções diárias e depois fez antibiótico até ao dia do parto. Maria do Carmo Laranjeira Santos podia ter nascido prematura, mas lá conseguiu aguentar-se até às 38 semanas.
 

 Na Farmácia Atena, Carminho já tem a sua bata

Quem sabe se para se distrair das preocupações, a mãe Alexandra começou «a cortejar» um grande saco cor-de-rosa, daqueles com produtos a cheirar a bebé que todas as pré-mamãs namoram. Resistiu até à última. Acabou por comprá-lo «mesmo na véspera da Carminho nascer».
 
A farmacêutica confirma que a relação entre as duas sedimentou-se a partir daquele saco cor-de-rosa. Com meia dúzia de dias de vida, da primeira em que saiu à rua ao colo da mãe, Carminho veio conhecê-la. Foi o início de uma relação forte.
 
Liliana Sousa nunca mais deixou de perguntar pela criança e o seu interesse foi retribuído com visitas cada vez mais frequentes. «Às vezes nem vinham comprar nada, mas apenas dizer-me: olá», lembra a farmacêutica. «A Carminho era uma bebé muito simpática e sorridente e talvez daí tenha desenvolvido um carinho especial por ela». A mãe Alexandra explica: «Tínhamos que passar por aqui para ir para casa e a farmácia Atena era paragem obrigatória».
 
Volta e meia, esta troca de galhardetes é interrompida pela protagonista da história. Ao mesmo tempo que rodopia, insiste em saber quando começa a sessão de fotografias. «Ela sempre sorriu assim para mim, e eu para ela», diz, embevecida, Liliana Sousa.
 
Aos seis meses, Carminho foi para o berçário. Mal começou a falar, além de «mãe» e «pai» balbuciou o nome de Liliana. «Acho que dizia Nana», lembra a mãe. Para documentar a rigor esta amizade, os pais resolveram oferecer à amiga farmacêutica uma fotografia de Natal tirada no colégio, desejando-lhe um «Feliz Natal».
 
Liliana Sousa guarda estas preciosidades tiradas em 2013, 2014 e 2015. «Infelizmente, no ano passado o fotógrafo já não foi à escola e parece que este ano também não vai», conta a mãe, desconsolada. Mas, numa farmácia há remédio para tudo. «Agora temos tirado selfies as duas», remata a farmacêutica.
 

 Carminho e Liliana adoram tirar selfies e brincar juntas
 
Meia envergonhada, Carminho consente que ofereceu as fotografias à amiga porque gosta muito dela. Tem mais facilidade em enumerar a lista de presentes que pediu ao Pai Natal. «Máscara, fato e cabeleira da Ladybug», personagem de desenhos animados muito popular entre os miúdos desta idade. Quebrado o gelo, garante ter «sete namorados». Quer ser veterinária para «cuidar dos bichos com a ajuda da mãe». Tudo dito na mesma frase, como é próprio de quem tem muita pressa de crescer. Lembra-se que «a mãe já comprou aqui um remédio bom». O que será isso, no seu critério de criança? «Não gosto do xarope branco, só do laranja». Alexandra Laranjeira legenda a conversa da filha: «A Carminho vomita sempre os antibióticos, por isso temos que ser muito criativos quando ela tem de os tomar».
 
Alexandra aconselha-se sempre com Liliana Sousa. Em troca, Carminho dá-lhe «uns abraços maravilhosos». A farmacêutica confessa que acompanha outras Carminhos. «Uma com 83 anos, outra com cinquenta e pouco. Muitas vezes a terapêutica passa por saber ouvir. Nestas idades as pessoas precisam é de alguém que as oiça. E de companhia. É um bocadinho isto o Natal».
 
Nas palavras mais coloridas de Carminho, «o Natal é amor e felicidade. É quando o Jesus faz anos, a família se reúne e se faz muito tchim, tchim».

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