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ANF e ULS Loures-Odivelas estabelecem pela primeira vez referenciação direta após rastreio do VIH e hepatites

O protocolo pioneiro formaliza o encaminhamento direto das farmácias para o SNS dos casos reativos de VIH e hepatites, após rastreio nas farmácias da zona de abrangência da ULS Loures-Odivelas, no âmbito do Programa FOCUS.

Texto de Ana Rita Cunha | Fotografia de Pedro Loureiro

A ANF e a ULS Loures-Odivelas (ULSLOD) celebraram esta quarta-feira, 21 de outubro, um protocolo que estabelece um circuito formal de referenciação direta para esta unidade de saúde das pessoas que obtenham um resultado reativo nos testes rápidos de VIH e hepatites B e C, realizados nas farmácias comunitárias da sua zona de abrangência.

É a primeira vez que é formalizado um protocolo que concretiza um modelo de integração de cuidados na comunidade, centrado na pessoa, ligando a deteção precoce nas farmácias à confirmação e ao acompanhamento clínico no SNS. O acordo, que prevê fluxos de comunicação direta entre as partes, visa assegurar a continuidade do acompanhamento das pessoas com resultados reativos e reduzir o risco de perda de seguimento após o rastreio.

Para a presidente da ANF, Ema Paulino, o novo modelo representa um passo importante na articulação entre os diferentes níveis de cuidados de saúde, reconhecendo o papel das farmácias na jornada de saúde das pessoas. «Pela sua proximidade, as farmácias comunitárias têm a mais-valia de contactar diariamente com uma grande parte da população, nomeadamente a que têm menor contacto com os serviços de saúde ou é habitualmente menos rastreada. Mais do que oportunidades de intervenção, essas interações constituem responsabilidades, nomeadamente ao nível da promoção da saúde e da prevenção da doença e, em particular, da identificação de pessoas em risco e de pessoas que necessitam de referenciação para outros níveis de cuidados», afirmou.

O presidente do Conselho de Administração da ULSLOD, Miguel Lemos, destacou a importância de integrar as farmácias comunitárias na construção de uma rede de cuidados de saúde mais articulada e orientada para a prevenção. «Enquanto profissionais de saúde, temos de privilegiar a prevenção, atuar proativamente e antecipar os problemas. Este é um passo importante e um exemplo claro do que pode ser feito para cumprir a missão do SNS e do sistema de saúde e as farmácias podem contribuir para melhores resultados e ganhos em saúde», disse.

Esta ideia de colaboração entre os vários níveis de cuidados de saúde em prol da saúde das pessoas foi também reiterada pela enfermeira diretora da ULSLOD, Sandra Pereira: «Faz todo o sentido ter parceiros como as farmácias comunitárias envolvidas neste conceito de ULS, um conceito de portas abertas em que todos os stakeholders são bem-vindos para otimizar os circuitos dos doentes e gerar ganhos em saúde».

A continuidade do acompanhamento dos casos reativos é particularmente importante no rastreio do VIH e das hepatites B e C, infeções que continuam a representar um desafio de Saúde Pública, interrompendo as cadeias de transmissão. Portugal mantém valores acima da média europeia no que toca ao VIH, com uma incidência significativa de diagnóstico tardio. Neste contexto, Francisco Leal Rocha, médico de Saúde Pública, sublinhou a necessidade de combater o estigma ainda associado a estas infeções, apontando a proximidade das farmácias e a possibilidade de realizar os testes de forma anónima como mais-valias.

O momento de assinatura do protocolo contou ainda com a participação de António Alexandre e Alexandre Tomás, ambos do Conselho de Administração da ULSLOD; Alda Monteiro, diretora clínica para os cuidados de saúde primários; Vanessa Silva, enfermeira especialista em Enfermagem Comunitária. Por parte da ANF, estiveram também presentes Ana Tenreiro, da Direção; Nuno Cardoso, diretor-geral; António Teixeira Rodrigues, diretor de Soluções e Evidência em Saúde (DSES); e Sónia Romano, da DSES. Todos os participantes destacaram o valor desta iniciativa enquanto um exemplo relevante da articulação entre as farmácias comunitárias e o SNS, com potencial para ser replicado noutras regiões do país.

O protocolo enquadra-se no âmbito do projeto “Aproximando o Rastreio das Comunidades: Alargar o Acesso ao Rastreio do VIH, VHB e VHC através das Farmácias Comunitárias”, integrado no Programa FOCUS, que está a decorrer em farmácias comunitárias aderentes nos municípios da Amadora, Sintra, Odivelas e Loures e destina-se a pessoas com mais de 18 anos.

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