Entrou para pedir um conselho, saiu vacinado: começou a campanha de vacinação nas farmácias
Proximidade, confiança e conveniência voltam a marcar a campanha de vacinação sazonal, que arrancou hoje em mais de 2.550 farmácias comunitárias de todo o país.
Texto de Pedro Veiga
Fortunato Carretero passou ao início da manhã na Farmácia Benfiluz, em Lisboa, para pedir um esclarecimento sobre um medicamento. Uns minutos depois, estava vacinado contra a gripe e a COVID-19. «Nem sabia que começava hoje a época de vacinação, julgava que era amanhã, mas foi-me proposto que, se tivesse disponibilidade e quisesse, poderia tomar já e tudo bem, aproveitei», contou.
O exemplo ilustra uma das mais-valias da participação de mais de 2.550 farmácias comunitárias nesta campanha de vacinação, que hoje teve início: cada interação ao balcão oferece uma oportunidade para vacinar quem ainda não se vacinou e de esclarecer quem ainda possa ter dúvidas. «Podemos encetar uma conversa no sentido de perceber quais é que são as razões pela hesitação e podemos, de certa forma, naquela conversa, encontrar formas de ultrapassar essa mesma hesitação e de aproveitar a oportunidade de imediatamente vacinar», explicou Ema Paulino, presidente da ANF.

Para a dirigente associativa, a participação das farmácias pela quarta época consecutiva é demonstrativa dos benefícios que a rede acrescenta a todo o processo. « O alargamento da vacinação nas farmácias aos adultos com patologias de risco demonstra que temos correspondido às expectativas e que existe vontade de reforçar o nosso envolvimento nesta missão de vacinar a população. Estamos muito comprometidos com este com este trabalho em complementaridade com os centros de saúde».
Na Farmácia Benfiluz, a diretora técnica, Teresa Rebocho, sublinhou que «as farmácias estão preparadíssimas para atender todos os utentes». A confiança continua a ser um fator determinante: «a farmácia é de proximidade, a farmácia é acessível, a farmácia tem horários alargados e as pessoas gostam de ser vacinadas porque confiam em nós».

O argumento encontrou eco nas palavras dos utentes que, ao longo da manhã, foram àquela farmácia para se vacinarem. Maria José Gerardo invocou também a «confiança com as pessoas da farmácia, que a pessoa, quer queira ou não, vai-se habituando às caras; e as pessoas são simpáticas, as pessoas são prestativas». João Folgado complementou com as suas razões para se vacinar: «para ter uma melhor proteção em situações que possam vir a acontecer, de modo que não seja tão graves, e depois faço uma espécie de parto social: ao não me infetar, não infeto os outros».
Afinal, como explicou a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, «a vacinação é um passo importantíssimo naquela que é a nossa preparação do Inverno e por isso mesmo é que nunca podemos deixar este passo esquecido. E hoje arrancamos, a 30 de setembro. Temos ainda algum tempo para vacinar aqueles que nós dizemos que são os mais vulneráveis e que precisam de vir a ser vacinados».
A exemplo de campanhas anteriores, a vacinação é gratuita para os grupos elegíveis definidos pela Direção-Geral da Saúde, com a certeza de que «existem até mais vacinas este ano do que no ano passado. Portugal preparou-se. Lançou o concurso antecipadamente para que não tenhamos falhas no abastecimento de vacinas», como explicou a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.

A governante assinalou o início da campanha de vacinação com uma visita à USF Rodrigues Miguéis e à farmácia Benfiluz, acompanhada pela diretora-geral da Saúde, pela presidente da ANF e por outros dirigentes de organizações do setor, com um apelo: «sensibilizar as pessoas que estão em casa para que se venham vacinar».