Farmácias com avaliação positiva no acesso aos cuidados
Um estudo, promovido pela Associação TOP Health e realizado pela Spirituc, revela que o acesso aos cuidados de saúde é um dos principais desafios para os portugueses, enquanto as farmácias mantêm uma avaliação positiva.
Texto de Ana Rita Cunha
A saúde continua a ser a principal preocupação dos portugueses, que identificam dificuldades crescentes no acesso aos cuidados. Neste contexto, as farmácias comunitárias destacam-se como a única estrutura que mantém uma avaliação positiva pela facilidade de acesso, em detrimento dos hospitais e dos cuidados de saúde primários, segundo o estudo T.O.P. Health – Tendências, Opiniões e Perceções da População sobre a Saúde em Portugal.
Promovido pela Associação TOP Health e desenvolvido pela Spirituc, o estudo, que envolveu mais de 600 pessoas entre abril e maio, procurou compreender a forma como os portugueses olham para diferentes temáticas relacionadas com a Saúde, pelo segundo ano consecutivo. Os resultados foram apresentados a 14 de outubro, na sede da APIFARMA, num evento que contou com a participação da presidente da ANF, Ema Paulino.
O estudo confirma a centralidade da saúde nas preocupações da população: 68,4% dos inquiridos identificam-na como a sua principal área de interesse, ultrapassando em grande medida temáticas como a habitação e o custo de vida (8,5%), a política (5,6%), a segurança (4%) e a economia (3,7%). Os portugueses consideram-se saudáveis, mas mais de 40% dos participantes avaliam menos favoravelmente o estado geral da saúde no país, considerando-o mau ou muito mau.
Embora demonstrem saber onde recorrer, o acesso aos cuidados de saúde, a par da equidade no acesso, é identificado como um dos principais desafios pelos inquiridos, com uma deterioração da avaliação dos hospitais e dos cuidados de saúde primários face ao ano anterior. Numa escala de zero a dez, a facilidade de acesso aos hospitais passou de 7,35 pontos, em 2025, para 5,26 em 2026, enquanto nos cuidados de saúde primários a classificação desceu de 7,73 para 5,78 pontos. Em contrapartida, as farmácias comunitárias registaram uma subida de 7,72 para 7,76 pontos, mantendo uma avaliação positiva.
No painel de debate dos resultados do estudo, a presidente da ANF, Ema Paulino, destacou o contributo essencial da rede de farmácias no acesso equitativo aos cuidados, funcionando como uma porta de entrada para o sistema de saúde. «As farmácias estão presentes nas comunidades, são acessíveis e mantêm níveis elevados de confiança junto da população. A capilaridade da rede e a sua proximidade territorial constitui uma das respostas mais eficazes para mitigar as dificuldades e desigualdades de acesso aos cuidados, sobretudo em zonas de menor densidade populacional, em populações envelhecidas e em cidadãos com mobilidade reduzida», afirmou.
Para Ema Paulino, essa proximidade deve traduzir-se numa maior integração das farmácias no sistema de saúde, aproveitando recursos e competências já existentes e cujo potencial tem sido demonstrado, nomeadamente através da participação das farmácias nas campanhas de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19. Para tal, segundo defendeu, é crucial reforçar os canais formais de referenciação entre diferentes níveis de cuidados, bem como a comunicação entre profissionais de saúde e a partilha e acesso a dados em saúde, para que as farmácias possam contribuir de forma ainda mais efetiva para a continuidade dos cuidados prestados à população.
Por fim, a presidente da ANF salientou o papel das farmácias na promoção da literacia em saúde, num contexto em que os profissionais de saúde continuam a ser identificados no estudo como a fonte de informação mais credível para a população: «Os farmacêuticos comunitários podem intervir de forma a potenciar o aumento dos níveis de literacia em saúde, assegurando que a informação disponível é aplicada, de forma a maximizar os ganhos e resultados em saúde e contribuindo para o empoderamento da população, assim como a sua capacitação para a tomada de decisões informadas sobre a sua saúde».
O painel contou também com a participação de João Fonseca, médico reumatologista, e Paulo Gonçalves, presidente da RD-Portugal.