Farmácias comunitárias já asseguram tratamento com metadona
O programa teve início a 1 de novembro e pretende aproximar o tratamento das pessoas e promover a continuidade dos cuidados.
Texto de Ana Rita Cunha
As pessoas integradas em programas de tratamento da dependência de opioides já podem realizar o tratamento com metadona nas farmácias comunitárias. A iniciativa arrancou a 1 de novembro nas farmácias aderentes dos concelhos de Albufeira, Loulé, Portalegre, Portimão e São Brás de Alportel, Santiago do Cacém e Vila do Bispo, estando previsto o alargamento progressivo a todo o país.
A retoma da dispensa e administração de metadona nas farmácias insere-se no âmbito do Programa de Tratamento da Dependência de Opioides com Cloridrato de Metadona em Farmácias Comunitárias e resulta da colaboração entre o ICAD, o INFARMED, a ANF, a AFP e a Ordem dos Farmacêuticos. O objetivo é aproximar o tratamento das pessoas e promover a continuidade dos cuidados, mediante referenciação e em articulação com as equipas responsáveis pelo acompanhamento clínico.
Pela sua proximidade e relação de confiança com a população, as farmácias comunitárias desempenham um papel importante neste processo, facilitando o acesso e a adesão à terapêutica e assegurando a toma assistida num ambiente reservado. «As dependências exigem respostas qualificadas, humanizadas e centradas nas pessoas. A possibilidade de realizar o tratamento na farmácia, com privacidade e confidencialidade, pode contribuir para reduzir o estigma e fazer uma diferença concreta na continuidade dos cuidados», afirma a presidente da ANF, Ema Paulino.
O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe, destaca a importância da formação específica neste processo e garante que os farmacêuticos comunitários estão devidamente «preparados para assumir esta responsabilidade, assegurando um acompanhamento seguro, humanizado e centrado na pessoa».
Em 2024, estiveram em tratamento por problemas relacionados com o uso de drogas cerca de 24.100 pessoas na rede pública de tratamento em ambulatório, segundo dados apresentados pela presidente do ICAD, Joana Teixeira. A heroína foi a principal substância de consumo identificada em mais de 13.200 casos. «A dimensão desta realidade confirma a importância de desenvolver respostas cada vez mais acessíveis», sublinha, acrescentando que a integração das farmácias permite «alargar a capacidade de acompanhamento e favorecer os percursos de recuperação e reinserção social».
Para o presidente do Conselho Diretivo do INFARMED, Rui Santos Ivo, o programa representa um «passo importante» no reforço do acesso aos cuidados de saúde e na proximidade das respostas às necessidades dos cidadãos, garantindo uma resposta de Saúde Pública «segura, qualificada e centradas nas pessoas».
Além de reforçar a resposta nacional aos comportamentos aditivos e dependências, o novo regime contribui para os objetivos do Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências 2030.