Ministra da Saúde apela a compromissos duradouros para um sistema de saúde «adaptado ao século em que vivemos»
Ana Paula Martins destacou a inovação como um investimento em saúde, numa conferência em que a ANF defendeu uma maior integração das farmácias comunitárias no sistema de saúde.
Texto de Ana Rita Cunha | Fotografia: Convenção Nacional de Saúde
O papel da inovação no setor da Saúde esteve em destaque na conferência “Inovação em Saúde | Despesa ou Investimento?”, que decorreu no dia 1 de julho, no Centro Cultural de Belém. Promovida pela Convenção Nacional da Saúde e pelo Conselho da Saúde, Prevenção e Bem-Estar da CIP, a iniciativa reuniu profissionais de saúde, especialistas e decisores políticos, nomeadamente a ministra da Saúde.
«A questão não é tanto saber quanto custa inovar, mas quanto custa não inovar», sublinhou Ana Paula Martins, identificando a inovação como «condição essencial» para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde. A ministra da Saúde salientou igualmente a importância de reforçar a atratividade de Portugal para a investigação e a realização de ensaios clínicos.
Na sessão de encerramento da conferência, Ana Paula Martins defendeu ainda um sistema de saúde «adaptado ao século em que vivemos», assente na simplificação, na redução da burocracia, na autonomia e na valorização dos profissionais de saúde. «Se queremos mudar, vamos ter de nos adaptar a uma nova realidade», afirmou, apelando à construção de compromissos de médio e longo prazo, que implicam a convergência de todos os intervenientes do setor.
Foi precisamente a necessidade de consensos para o setor, capazes de responder às necessidades da população, que o diretor-geral da ANF destacou, no painel “Um Pacto para garantir Saúde a tempo e horas”. Nuno Cardoso defendeu que o Pacto Estratégico para a Saúde deve ir além do «diagnóstico dos desafios e das oportunidades, que já está feito; precisamos de execução e de encontrar compromissos duradouros».
Nesse sentido, sublinhou que o potencial da rede de farmácias comunitárias «pode e deve ser aproveitado de forma mais estruturada», nomeadamente através de maior integração com os restantes níveis de cuidados de saúde, tirando partido da proximidade das farmácias às pessoas, da capacidade técnica dos seus profissionais e dos elevados níveis de confiança por parte da população.
Ao seu lado, o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe, defendeu que o Pacto Estratégico para a Saúde deve «acrescentar valor, identificando prioridades e metas mensuráveis». Entre as medidas prioritárias, destacou a dispensa de medicamentos em proximidade, a intervenção farmacêutica em situações clínicas ligeiras, e o reforço da interoperabilidade dos dados em saúde e da atratividade do país para a realização de ensaios clínicos.
Moderado pela jornalista Ana Peneda Moreira, o painel contou ainda com a participação de Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos e chairman da Convenção Nacional da Saúde; Miguel Pavão, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas; e Paulo Gonçalves, presidente da RD-Portugal – União das Associações das Doenças Raras de Portugal.