Museu da Farmácia celebra 30 anos com conferência dedicada ao património cultural e à ciência
A conferência “Património Cultural e Ciência: Conhecimento que Constrói o Futuro" reuniu especialistas das áreas da cultura, ciência e museologia para debater o papel da memória na construção do amanhã.
Texto de Maria Jorge Costa
O Museu da Farmácia assinalou três décadas de atividade com a conferência “Património Cultural e Ciência: Conhecimento que Constrói o Futuro". O evento, que decorreu na sede da ANF, em Lisboa, reuniu especialistas das áreas da cultura, ciência e museologia para debater o papel da memória na construção do amanhã.
«A vertigem do mundo acelerado dá novos impulsos aos museus: dão-nos tempo para olhar e escutar, contexto e património para relacionar», destacou na sessão de abertura Alberto Santos, secretário de Estado da Cultura. «O Museu da Farmácia exemplifica a evolução da profissão farmacêutica, que se cruza com a busca da Humanidade para ultrapassar a doença e a dor», afirmou.
Já Ema Paulino, presidente da ANF, destacou que «mais do que um espaço de exposição, o Museu da Farmácia é um lugar de divulgação científica, promoção do conhecimento e reforço da literacia em saúde», especialmente num contexto de desinformação. Ema Paulino sublinhou ainda que preservar a memória da profissão ajuda a preparar o futuro, e agradeceu às farmácias portuguesas o contributo para o espólio do Museu.
Para simbolizar a continuidade e expansão desta missão, o encontro serviu de palco para a apresentação da nova peça que integra o acervo do Museu: uma taça em coco do sec. XVII. A taça era utilizada para conter substâncias medicinais, antivenenos e antitóxicos, explicou João Neto, diretor do Museu da Farmácia, que sublinhou a relevância histórica da instituição. O programa contou ainda com Henrique Leitão, pró-reitor da Universidade de Lisboa, que abordou o contributo daquela universidade para a museologia e a ciência.
José Augusto Cardoso Bernardes, comissário-geral para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís Vaz de Camões, cruzou património, cultura e ciência numa reflexão sobre o conhecimento na obra camoniana. O encerramento esteve a cargo de Paula Dinis, vice-presidente da ANF, e de Helder Mota Filipe, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos.
Integrado na Rede Portuguesa de Museus desde novembro de 2025, o Museu da Farmácia aproveitou este 30.º aniversário para renovar o seu compromisso com a preservação, o estudo e a divulgação da história universal da Saúde, reafirmando o património cultural como uma fonte viva de conhecimento científico. A cerimónia incluiu ainda momentos de homenagem aos fundadores, profissionais e parceiros que ajudaram a consolidar a instituição ao longo das últimas três décadas.
Três décadas a salvaguardar o património da Saúde
A criação de um Museu da Farmácia em Portugal foi, durante vários anos, uma ambição dos farmacêuticos no país. O projeto ganhou impulso em 1981, quando a Direção da ANF apelou às farmácias de todo o território nacional para que doassem peças destinadas à constituição de uma coleção museológica. A forte adesão permitiu reunir um acervo altamente representativo da história da Farmácia em Portugal, salvaguardando um património que estava em risco de se perder.
Entre 1997 e 2010, o Museu reforçou a sua dimensão internacional, reunindo, através de leilões nacionais e internacionais e junto de privados, uma coleção representativa da história da Farmácia mundial. Trinta anos depois da sua criação, o Museu da Farmácia afirma-se como uma referência na preservação e divulgação da memória da Saúde e da Farmácia, em Portugal e no mundo.
Fundado pela ANF, o Museu da Farmácia é o resultado da vontade inequívoca das farmácias comunitárias em preservar a história da profissão. Hoje, o Museu convida a uma viagem por 5.000 anos de história da Saúde, com mais de 15 mil peças entre Lisboa e Porto.